Animais

Com 7 vidas e sem medo do céu. A história do primeiro gato a sobrevoar o Atlântico

Kiddo entrou num dirigível por mero acaso. Os tripulantes não conseguiram tirá-lo, e ele acabou por viajar ao colo de um deles.
Em primeira classe.

Por vezes, a história também se escreve direito por linhas tortas. Kiddo que o diga — se pudesse. O primeiro felino a sobrevoar o Atlântico já não está cá para contar em primeira mão (ou pata…) essa experiência. Primeiro, porque um gato, até ver, não fala. E, depois, porque tal acontecimento histórico deu-se há mais de 100 anos.

A 15 de outubro de 1910, o “America” tinha travessia transatlântica preparada, a partir de Atlantic City, em Nova Jérsia, rumo ao continente europeu. O dirigível construído em França, em 1906, por Walter Wellman voar até ao Polo Norte foi usado, novamente, pelo jornalista norte-americano para levar a cabo nova expedição. A viagem foi, aliás, financiada por jornais como o “The New York Times”, “The Chicago Record-Herald” e “Britain’s Daily Telegraph”.

Para uma expedição de tamanha ambição escolheu-se uma aeronave de correspondente dimensão: o “America” estendia-se por 50 metros de comprimento e, aproximadamente, 16 de largura, perfazendo cerca de 7.300 metros cúbicos de hidrogénio suspenso no ar.

A desafiar as leis da gravidade à época.

Poucos mas todos a bordo

No pequeno compartimento alocado à tripulação iam a bordo cinco tripulantes — humanos. Mas houve espaço para mais um: Kiddo, um gato vadio que vivia num hangar de aviação perto da pista de descolagem, entrou no dirigível sem ser visto. Quando deram por ele, já não era possível retirá-lo da aeronave e o “America” levantou voo com o felino a bordo.

A viagem de Kiddo não podia ter sido mais confortável — até certo ponto. Se, por um lado, passou o tempo de voo todo ao colo do operador de rádio Jack Irwin, por outro, não ganhou para o susto quando a travessia se complicou. Primeiro o nevoeiro, depois a tempestade, e o cenário rapidamente se transformou num pesadelo. Tanto que a tripulação teve de ser evacuada e o dirigível acabou por se despenhar. Não chegaram a bom porto, mas sobrevoaram o Atlântico tempo suficiente para Kiddo fazer história.

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