Animais

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“A Câmara de Lisboa tem trabalhado muito na defesa dos animais. Investimos mais de 1,3 millhões”

Catarina Freitas, Diretora municipal do Ambiente, Estrutura verde, Clima e Energia, explica à PiT o trabalho que Lisboa tem feito pela dignidade e bem-estar animal.

Na véspera do Dia do Animal, que se assinala este sábado, 4, com o evento Dia do Animal, que se realiza no Jardim Vasco da Gama, em Belém, conversámos com Catarina Freitas, Diretora municipal do Ambiente, Estrutura verde, Clima e Energia, que tem uma visão macro do trabalho que tem sido feito neste mandato da autarquia.

Lisboa é uma cidade inclusiva e hoje, quando se fala de inclusão, fala-se naturalmente dos cidadãos portadores de deficiência, mas também entendemos cada vez mais as famílias como uma visão mais alargada, onde estão os animais. De que forma é que a Câmara de Lisboa tem vindo a apoiar e a lutar pela dignidade animal? 

Lisboa tem vindo a afirmar-se como uma cidade inclusiva também no que respeita ao bem-estar animal. Entendemos que a proteção animal é importante paras as famílias e para a comunidade. Por isso, a Câmara Municipal de Lisboa tem desenvolvido programas e iniciativas que traduzem esse compromisso, promovendo a ligação entre as pessoas, os animais de companhia e a inclusão social.

Que exemplos pode apresentar que confirmam esse esforço social e investimento?

À cabeça, a criação do Portal Lisboa.Pet, que é uma plataforma digital que reúne informação sobre animais na cidade (animais perdidos ou encontrados, serviços disponíveis, orientações sobre bem-estar). E funciona também como veículo de sensibilização contra o abandono, os maus-tratos e outras situações de risco.

Outra medida que tomámos foi a criação dos Cheques Veterinários para famílias vulneráveis. São um apoio fundamental destinado a famílias com baixos rendimentos, garantindo acesso gratuito ou a custo reduzido a cuidados médico-veterinários essenciais (vacinação, esterilização e desparasitação).

É uma medida que contribui para que todas as famílias, independentemente da sua condição económica, possam cuidar com dignidade dos seus animais de companhia.

Ao longo deste mandato foram realizados projetos de inclusão social com animais, o que prova a importância que os animais junto das comunidades mais vulneráveis e emocionalmente dependentes.

É verdade. O projeto-piloto Pelos2 envolve jovens institucionalizados na reabilitação e treino de cães acolhidos, reforçando as competências emocionais e sociais, e simultaneamente a recuperação dos animais. É uma aposta forte da autarquia, que confirma a sensibilidade social desta equipa.

No ano passado, a autarquia apresentou uma campanha publicitária de largo espetro, muito bonita, contra o abandono e a favor da adoção responsável. Continua a ser u drama?

Continua, continua. A campanhas Adote um Rafeiro com Raça, com uma imagem fortíssima, que incentiva a adoção responsável, dando visibilidade a animais que, de outra forma, poderiam ter mais dificuldade em encontrar uma família. Foi um sucesso, um trabalho muito impactante e que, naturalmente, acabará por dar frutos, porque nestas coisas de consciência, há sempre um caminho a percorrer.

Quando falamos da defesa da dignidade animal, pensamos nos animais domésticos, mas a Câmara tem trabalhado também na proteção da fauna selvagem.

É verdade, é bem observado. O Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS) acolhe animais feridos ou debilitados, garantindo um tratamento especializado e devolvendo-os, sempre que possível, ao seu habitat natural.

Este trabalho dedicado das equipas municipais contribui decisivamente para proteção de espécies ameaçadas e para a preservação da biodiversidade.

Já para não falar do trabalho de grande impacto que a Casa dos Animais de Lisboa tem tido.

 Sim, sublinho que só nos últimos quatro anos, a CAL acolheu mais de 8.000 animais, realizou mais de 7.000 cirurgias e assegurou mais de 73.000 tratamentos e exames. Estes números mostram não só a dimensão da resposta da autarquia, mas também o aumento da procura e da preocupação da comunidade com o destino dos animais.

Em suma, com estas iniciativas e atuação, Lisboa assume que a dignidade animal é parte essencial de uma cidade inclusiva e sustentável, onde o bem-estar dos animais está indissociavelmente ligado à qualidade de vida das pessoas e ao reforço da consciência cívica da comunidade.

As obras na CAL vieram contribuir para melhor a capacidade de resposta da autarquia?

 Sim. A Câmara Municipal de Lisboa tem feito investimentos significativos na Casa dos Animais de Lisboa (CAL), que permitem uma maior capacidade de resposta e uma melhoria efetiva das condições de bem-estar animal. Por exemplo, a A CAL passou a dispor de um edifício moderno, com cerca de 425 m² distribuídos por dois pisos, que reforça a qualidade das instalações e o conforto de animais e equipas. Além disso, foram criados novos espaços dedicados ao voluntariado e à promoção da adoção, bem como gabinetes técnicos, sala de reuniões e formação, garantindo melhores condições de trabalho e maior proximidade com a comunidade.

Mas também há novas valências e condições para a prática clínica.

Exatamente. Do ponto de vista clínico, destacam-se a nova sala de recobro e internamento, a ampliação da sala de cirurgia e a requalificação da área destinada a gatos, que inclui agora maternidade e climatização adequada.

Por outro lado, o Programa CED (Captura, Esterilização e Devolução) foi reforçado, tal como as salas de quarentena e sequestro de raiva, aumentando a capacidade de atuação preventiva e de resposta em situações de emergência.

Que investimento foi feito pela Câmara de Lisboa em todo este processo?

O investimento superior a 1,3 milhões de euros reflete um compromisso claro da Câmara Municipal de Lisboa em garantir condições mais dignas e eficazes para os animais ao seu cuidado e em promover uma cidade cada vez mais amiga dos animais.

A criação do site Lisboa.Pet foi uma iniciativa da CML para valorizar a adopção responsável: que balanço se pode fazer destes primeiros meses?

 Depois de um ano de lançamento, temos uma média de 10.000 visitas mensais e em alguns meses 15.000. A adoção continua a ser a principal razão para essas visitas. Atualmente são disponibilizadas online as fichas detalhadas de cerca de 130 animais, para as pessoas poderem conhecer e decidir.

Tem havido procura?

Sim, temos uma procura crescente pela secção de animais perdidos e achados, sendo este mais um veículo de divulgação que acresce ao que normalmente as pessoas procuram logo dinamizar localmente. Queremos incentivar o uso gratuito do nosso diretório e procurar cada vez mais parcerias para conteúdos de qualidade e efetivamente úteis para o canal PET do Portal. Em resumo, o portal está a afirmar-se na comunidade e tem-se revelado uma ferramenta digital relevante para a Missão da Casa dos Animais de Lisboa.

Sente que os lisboetas estão mais sensíveis ao bem-estar animal?

Sim, sentimos cada vez mais essa mudança. Os lisboetas estão hoje muito mais atentos e envolvidos nas questões do bem-estar animal, e isso reflete-se nos resultados da Casa dos Animais de Lisboa (CAL). A taxa média de adoção nos últimos anos é superior a 98%, um dado muito expressivo que demonstra a crescente responsabilidade e sensibilidade dos cidadãos para com os animais que procuram um novo lar. Outro indicador relevante é a forte adesão ao programa de voluntariado e às campanhas de sensibilização, bem como a participação em eventos como o Dia do Animal, que celebramos este sábado, dia 4, o Pet Festival ou a Feira de Bem-Estar Animal, que têm contado sempre com grande envolvimento da população.

Carregue na galeria para rever alguns momentos da festa do Dia do Animal do ano passado.

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