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Alfie e Bailey são os primeiros cães geneticamente modificados para não provocarem alergias

A empresa que os criou pretende tornar real a possibilidade de ter animais de estimação para quem é alérgico.

Raças como o Cão de Água Português e o Caniche são opções populares entre os amantes de patudos que têm o azar de viver com alergias a estes animais, mas a ciência não quis parar por aqui. Alfie e Bailey, dois Beagles estadunidenses, foram criados por geneticistas para não provocarem qualquer reação alérgica a humanos.

Os cães nasceram sem a Can f 1, a principal proteína alergénica presente na saliva, pelo e pele desta espécie. Matt Walker, geneticista e dono da empresa de biotecnologia Kindred Companion Sciences, que criou para desenvolver esta tecnologia, é o responsável pela criação.

O cientista explicou à Associated Press ter decidido explorar a possibilidade de utilizar cães geneticamente modificados para reduzir as reações alérgicas em pessoas sensíveis aos animais — uma realidade com que o próprio lida.

O objetivo da investigação passa por alterar geneticamente os cães para diminuir ou eliminar a produção das proteínas às quais as pessoas são habitualmente reativas. A ideia não é nova. No passado, outras equipas de investigadores tentaram fazê-lo através de clonagem, mas todas as experiências resultaram em animais doentes e com perfis genéticos demasiado semelhantes.

Para criar Alfie e Bailey, os cientistas editaram o código genético dentro das células de cães, desligando o principal gene responsável por produzir as proteínas alergénicas. O código genético editado foi então transferido para óvulos implantados numa Beagle que deu à luz as duas crias. Depois de nascerem, a saliva e pelo de ambos foram testados e não revelaram sinais da proteína.

O processo da Kindred Companion Sciences foi publicado na forma de estudo revisto por pares no The CRISPR Journal, uma publicação dedicada à ciência dos genes. O artigo demonstra a alteração genómica levada a cabo, esclarecendo tratar-se de um procedimento experimental e que ainda não foi analisada pela FDA, a agência federal do governo dos Estados Unidos responsável pela saúde pública.

Alfie e Bailey nasceram em setembro de 2024 em Nova Iorque. Online, a Kindred Companion Sciences adianta que “passam os dias a brincar, a dormir, a pedir biscoitos”, e sublinha a necessidade de monitorizar os efeitos da alteração genética a longo prazo para averiguar a viabilidade da comercialização destes animais. 

Carregue na galeria para ver os benefícios que os animais podem trazer para a nossa saúde.

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