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Alfie, Marte, Titus e Tsuky foram salvos de matilheiro e esperam por um final feliz

O caso está a ser investigado. Uma voluntária contou à PiT o estado em que os cães chegaram ao canil.

Em maio deste ano, 70 cães vítimas de maus-tratos foram retirados a um matilheiro em Montemor-o-Novo por ordem judicial. Negligenciados e com medo, os animais foram acolhidos por organizações onde puderam recuperar, mas nem todos tiveram ainda o final feliz que merecem.

Como a PiT noticiou a 7 de maio, os cães de caça eram mantidos pelo matilheiro Francisco Almeida e usados como dadores de sangue. Queixas e imagens levaram a uma reação das autoridades, que visitaram o local, dando conta de várias irregularidades. A procuradora recomendou a retirada dos animais e a autarquia, por sua vez, esterilizou 20 cães e retirou vários cachorros que considerou estarem em situação de risco.

Uma das voluntárias do canil da cidade alentejana conta à PiT ter estado envolvida na operação de resgate, ajudando a coordenar a logística da distribuição dos animais por diferentes associações, e esclarecendo que não puderam ser todos acolhidos pelo canil, que “é demasiado pequeno”.

A ativista, que prefere manter anónima a sua identidade, avança ter passado 10 horas na ação, recebendo, avaliando e entregando os animais às organizações que se disponibilizaram para os receber. Questionada sobre o estado físico e emocional dos cães, responde “não há palavras”. “Estavam magros, com feridas de lutas. Alguns com muito medo e reativos, sobretudo os que estavam presos à corrente”.

Apesar dos maus-tratos que passaram, a voluntária afirma que os patudos “são os cães mais espetaculares que existem”, notando a sua docilidade, que, aliás, era necessária para que servirem o propósito das colheitas de sague.

Os 70 animais foram distribuídos por 12 organizações: o Cantinho dos Animais de Beja, o Animal Rescue Algarve (ARA), a Associação Bianca, em Sesimbra, a Wigglestail Animal Sanctuary, em Messines, o Tiny Shelter, a Coração 100 Dono, a Quintinha ABC, o CRAPAA, o Amigo Fiel, no Bombarral, a Associação Mafra, a Cadela Carlota e o Canil Municipal de Montemor-o-Novo.

Além do trabalho que desempenha no canil, a apoiante da causa animal integra ainda a iniciativa Lucky Dogs Montemor, uma plataforma a partir de onde são divulgados cães que esperam por famílias. Entre os patudos no site estão quatro dos que foram retirados ao matilheiro em maio: Alfie, Marte, Titus e Tsuky, que permanecem por adotar, em Montemor.

A voluntária nota ainda que, apesar de a ação ter acontecido com rapidez depois da exposição mediática que recebeu, já que “dois dias depois de ter ido para a televisão foram lá tirar os animais”, o conhecimento do caso remota a outubro de 2025, quando surgiram as primeiras denúncias à Câmara Municipal, à DGAV e ao ICNF.

Segundo afirma, a equipa do canil de Montemor-o-Novo tinha já dado conta da falta de condições com que os animais viviam, o que levou a veterinária municipal a interceder e a pedir a Francisco Almeida que esterilizasse os animais quando começaram a nascer ninhadas na propriedade. “A câmara esterilizou cerca de 20 cadelas e recolheu alguns dos bebés que conseguimos dar para adoção”, comenta.

Carregue na galeria para conhecer os quatro cães para adoção em Montemor, que foram retirados ao matilheiro.

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