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Animais de Ninguém em risco de ser despejada. “Somos ignorados ou recebemos desculpas”

Foi prometido à associação de Castelo Branco um espaço definitivo, que nunca chegou. Agora, os animais estão em risco.

A associação Animais de Ninguém tem ao seu cuidado 80 gatos, que a equipa salvou das ruas de Castelo Branco. O organismo existe há três anos, e desde que foi constituído o seu trabalho foi reconhecido pela Câmara Municipal da cidade como uma ajuda necessária para abrigar as vítimas de abandono — assim, o projeto teve início com a promessa de que lhe seria atribuído um espaço de atuação, onde os animais pudessem ser mantidos em segurança e com as condições necessárias. Este local nunca chegou, e agora a associação teme ser expulsa do espaço que utiliza.

Sandra Rodrigues, uma das fundadoras e atual tesoureira da organização, explica à PiT que este é um momento de particular preocupação. Esclarece que ao longo dos três anos de atuação foram realizadas diversas propostas por parte da associação, com locais onde fosse possível assentar e cuidar dos animais, mas nada chegou a ser aprovado, “e o tempo foi passando”. “Começámos a alugar o que conseguíamos, e tínhamos sempre problemas”, começa por relatar. “Desta vez foi a mesma coisa, por uma queixa um pouco ridícula”, acrescenta.

A responsável explica ter chegado uma denúncia às autoridades locais sobre a presença da associação no local onde atualmente reside, afirmando que “os cães passeavam nas redondezas e urinavam nas paredes” — uma alegação que afirma não ser verdadeira. 

A PSP (Polícia de Segurança Pública) foi chamada ao local. Os agentes que tomaram conta da ocorrência aperceberam-se de que existiam mais de quatro gatos no espaço — o máximo de felinos permitidos por lei em cada casa. Além disso, esta não foi a primeira situação envolvendo os membros da Animais de Ninguém, que tinham já sido expulsos de outra casa. Desta vez, a polícia avisou as cuidadoras de que tinham “uma semana para tirar de lá os gatos”, apesar da confirmação do veterinário municipal de que todas as condições de segurança e higiene estavam asseguradas.

Fátima adianta o medo da equipa face à ameaça, já que, caso a exigência se cumpra, os 40 gatos que ocupam o gatil “têm de ser distribuídos pelos gatis da região” — um cenário difícil, já que a maior parte dos animais têm cuidados especiais, por “não terem patas, ou olhos, ou órgãos comprometidos”.

A associação decidiu lutar contra a imposição, e graças à ajuda de um advogado ficou claro que apenas com a chegada de uma notificação escrita por parte das autoridades teriam de sair do espaço. A par do apoio legal, a equipa procura ainda o apoio da população.

A Animais de Ninguém teve uma nova reunião com a Câmara Municipal de Castelo Branco há duas semanas, onde foi prometido à equipa que os animais só sairiam do local onde atualmente estão para o espaço definitivo. Contudo, lamenta Fátima, a resposta final ainda não chegou. “É desgastante e revoltante, porque fazemos as coisas pela via diplomática e somos ignorados ou recebemos desculpas”, afirma. “O bem-estar animal interessa, mas só de longe”, acrescenta. 

Apesar das dificuldades, a equipa recusa-se a desistir. “Queremos o espaço digno que nos prometeram sem ameaças da polícia ou dos vizinhos para continuarmos o nosso trabalho. Nem pensar em desistir daqueles gatos todos. Não podemos”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos animais resgatados pela associação Animais de Ninguém, de Castelo Branco, e para saber mais sobre a crise que enfrenta.

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