Animais

APAB: Esta associação precisa de si. Há 15 anos que cuida de animais por amor

“Fazemos animais e pessoas felizes desde 2007”, diz a presidente da associação. E a missão vai continuar a ser essa.
Patrícia Ramalho rodeada de amor.

A PiT e a Delta Q juntaram-se para apoiar uma associação de proteção animal, todos os meses, ao longo de um ano. A iniciativa arrancou em junho e neste mês de dezembro damos a conhecer a Associação Projecto Animais de Barcelos (APAB), que anda a fazer animais e pessoas felizes desde 2007.

Patrícia Ramalho, fundadora e presidente da APAB, tem desde muito pequena uma forte ligação aos animais. “Ia na rua e eles seguiam-me. Sempre me custou muito ver animais na rua e levei imensos para casa. Uns ficavam, a outros arranjava casa”, conta à PiT.

Quando decidiu “fazer algo mais a sério”, procurou uma opção em Braga. “Comecei a fazer voluntariado e a estudar tudo o que dizia respeito a animais para poder de facto fazer a diferença na vida deles e ajudá-los verdadeiramente”, explica.

Esse estudo materializou-se em muitas horas dedicadas a aprender tudo sobre eles. “Já são mais de 600 horas de formação e cursos sobre treino, modificação comportamental, educação amável, enriquecimento ambiental, saúde e primeiros socorros, captura de gatos, campanhas educativas, gestão de voluntários, etc., em Portugal e no estrangeiro”, diz Patrícia, que tem 50 anos e que foi, até há pouco tempo, investigadora doutorada na área da microbiologia.

O nascimento da APAB há 15 anos

Foi em 2005, quando terminou o doutoramento, que decidiu dedicar uma parte da sua vida aos animais, “que sempre foram uma paixão”. “Comecei então a fazer voluntariado em Braga. Mas não havia ninguém a ajudar os animais em Barcelos, por isso comecei a ir passear os cães do canil para os ajudar”, conta.

Daí à criação de uma plataforma onde pudesse divulgar os animais que mais precisavam foi um passo. “A Associação Projecto Animais de Barcelos surgiu em novembro de 2007, com a criação de um blog. Depois, foi constituída legalmente a 20 de fevereiro de 2009 como uma associação humanitária sem fins lucrativos”, refere Patrícia Ramalho.

Patrícia queria “fazer algo que realmente mudasse a vida dos animais – e das pessoas –, que pusesse o seu bem-estar em primeiro lugar, com base na ciência e com regras definidas”. Algo diferente do que se via. “Não chega gostar, é preciso saber o que se anda a fazer. Por isso mesmo, também promovo a formação dos voluntários, dos adotantes e dos tutores em geral”, sublinha.

E foi assim que criou um projeto diferente, que é reconhecido internacionalmente. “Temos especialistas em comportamento, de instituições estrangeiras, a pedirem-nos vídeos do que fazemos com os nossos animais para usarem nas formações que dão. Tivemos um especialista em comportamento da Dogs Trust que nos visitou e que disse que, depois dos centros deles, onde não há limitações de nenhum nível, o nosso abrigo tinha sido o sítio melhor para cães que ele tinha visitado”, afirma com orgulho.

Uma missão de amor

“Já dei também um workshop para treinadores de cães sobre treino e enriquecimento ambiental em ambiente de abrigo. É o que adoro fazer: animais felizes!”. Por isso mesmo, quando não está a trabalhar, todo o seu tempo é dedicado a ajudar animais. “É a minha missão”, diz a presidente da APAB.

APAB
Patrícia Ramalho e os seus protegidos.

O lema da associação é claro: “Trabalhamos para que um dia todos os animais tenham um lar onde sejam amados e respeitados”. Pôr este objetivo em prática não é fácil. Não é simples. Implica muita dedicação.

“Isto implica trabalhar com os animais no resgate, reabilitação – emocional, comportamental e de saúde – e realojamento. Trabalhar com as pessoas, educando-as e sensibilizando-as para os cuidados e o respeito pelos animais. Esterilizar animais de rua para reduzir a sua multiplicação exponencial. Promover a divulgação de informação sobre o bem-estar dos animais. E divulgar também animais perdidos e encontrados”, explica Patrícia.

E não só. “Na realidade, queremos salvar o máximo de animais possível, mas apostando na qualidade dos cuidados prestados. Promovemos a formação dos voluntários sobre comportamento e bem-estar animal para que eles possam também mudar o mundo de mais alguns animais nas pessoas que os rodeiam”.

“Fazemos animais e pessoas felizes desde 2007. Porque sabemos que os ‘problemas de comportamento’ são uma das causas de abandono, apostamos na educação dos nossos animais e ensinamo-los a serem felizes – porque animais felizes integram-se melhor no mundo que os rodeia, tal como as pessoas”, aponta a protetora de Barcelos.

Os gatos não se “desenrascam” na rua

Patrícia diz que a APAB recebe diariamente pedidos de ajuda para vários animais. Mas “sempre mais cães do que gatos, porque as pessoas acham que os gatos se desenrascam na rua, o que não podia ser mais incorreto”.

“Por causa dos recursos limitadíssimos, temos de fazer uma triagem e ajudar os animais mais em risco ou que estão feridos”. Muitos deles estão no leque dos “descartáveis”: “a maior parte dos pedidos vêm de pessoas que, pelas mais variadas desculpas, querem despachar os animais que têm”.

A protetora lamenta estas atitudes. “As prioridades das pessoas quase nunca são os animais, porque ainda não são vistos como seres sencientes e porque vigora uma sensação de impunidade nestas situações. Há pouquíssimas queixas de abandono e maus-tratos e ainda menos as que realmente chegam a ter penalizações. Temos de mudar isto. O município não dá respostas aos munícipes e eles exigem de nós respostas”.

Atualmente, a APAB tem a seu cargo direto 31 cães e quatro gatos, além de todos os outros que ajuda indiretamente. “Temos no abrigo 27 cães, mais dois sensores em minha casa que precisam de medicação de 12 em 12h, e dois cachorros internados na clínica. Temos também dois gatos internados na clínica – por não termos onde os colocar – e outros dois gatos em família de acolhimento temporário. Além disso, temos alguns animais de famílias carenciadas e várias colónias de gatos que estamos a controlar”.

A procura por adotantes responsáveis

Sobre se vão surgindo candidatos à adoção dos animais, a presidente da associação diz que “adotantes até há, mas responsáveis já é outra história”.

“O nosso processo de adoção é rigoroso, porque queremos adoções definitivas. Temos de ter a certeza que há compromisso do adotante para que corra bem. Também terá de ter condições e ter noção do que é um animal e das suas necessidades. Da nossa parte, há que selecionar bem o animal que se adequa ao adotante e às suas condições. Fazemos uma triagem dos adotantes para que de facto sejam adoções definitivas, e para que seja uma boa experiência para o adotante e para o animal”.

A Lupita espera por si.

Para Patrícia, o objetivo é claro. E é por isso que tem sido atingido. “Damos animais para serem membros da família, nada menos que isso. Não adianta despachar animais de qualquer maneira, porque isso é contribuir para o problema e não para a solução. Ajudamos na integração, na educação dos tutores e damos acompanhamento comportamental para a vida do animal. Também entregamos os animais em perfeitas condições de saúde, com microchip, esterilizados e educados. Damos poucos, mas damos muito bem. Temos uma taxa de sucesso de adoções de 98 por cento. Isto é o mais importante”.

Verbas e ração: é o que mais falta faz à APAB

Numa associação com animais que precisam de cuidados veterinários e de serem alimentados diariamente – já para não falar de outras despesas, como os produtos de limpeza dos espaços –, tudo faz falta. Sobretudo verbas.

“A nossa maior necessidade é dinheiro para pagar as contas do veterinário, que representam cerca de 70 por cento das despesas mensais – 2.500€/mês em média. Também precisamos de rações de boa qualidade, porque temos muitos seniores e normalmente os animais que recolhemos estão em mau estado e precisam de uma boa ração. Se não estiverem bem alimentados, não vão estar bem, portanto apostamos em boas rações sempre que temos dinheiro para isso”, explica Patrícia Ramalho.

E como conseguem sobreviver enquanto associação? Tem sido difícil, diz a sua presidente. Só com muito afinco e sacrifício pessoal, e também com a generosidade externa, é que é possível ajudar os animais. “Durante os primeiros 15 anos da associação vivemos apenas do nosso trabalho e de donativos de particulares e de algumas – poucas – empresas”, sublinha Patrícia. Agora surgiu uma ajuda extra: “há uma semana recebemos um apoio monetário do município, a quem muito agradecemos, para o trabalho que desenvolvemos este ano”.

Mas não chega. E para ajudar a APAB nesta missão, pode fazê-lo por MBWay (911 970 207) ou por transferência bancária para o IBAN da associação (0033.0000.4537.7247.6700.5).

Mais mãos também fazem falta. “Temos 22 voluntários ativos e pouco mais de 30 sócios. É muito pouco para as necessidades”, aponta a protetora de Barcelos. “Precisamos muito de voluntários, não só para os cuidados diários no abrigo –trabalhamos em regime exclusivo de voluntariado – mas para todas as tarefas fora do abrigo: de resgates, capturas, angariação de fundos, redes sociais, transporte de animais, adoções, etc…).

“Infelizmente há poucos a querer fazer a diferença e menos ainda responsáveis para com o compromisso assumido. Se as pessoas imaginassem o bom que é, e o tanto que eles nos ajudam e ensinam, teríamos filas intermináveis nas portas dos abrigos para fazer voluntariado”.

Por isso mesmo, Patrícia apela: “precisamos de sócios, de padrinhos, de famílias de acolhimento temporário e de voluntários para todas as tarefas – não só com os animais”. Se puder e quiser ajudar, contacte a associação pelas suas páginas de Facebook e Instagram ou envie um email (animais.barcelos@nullgmail.com).

Percorra a galeria para conhecer o espaço da APAB e os animais que ali vivem. Felizes, mas também à espera de um lar.

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