A posição das organizações apoia-se em evidência científica internacional, que demonstra que eventos climáticos extremos estão associados à redução do sucesso reprodutivo, aumento da mortalidade indireta e maior vulnerabilidade das populações selvagens. Nestes contextos, a literatura ecológica recomenda a redução de pressões humanas adicionais para permitir a recuperação dos ecossistemas.
Relatórios do IPCC (2022) e da IPBES (2019) alertam para o risco crescente de declínio da biodiversidade associado às alterações climáticas. Já a European Environment Agency indica que a maioria das espécies e habitats avaliados na UE se encontra em estado de conservação desfavorável, sendo particularmente sensível a impactos cumulativos.
“Os eventos climáticos extremos colocaram a fauna silvestre numa situação de vulnerabilidade sem precedentes. Neste contexto, continuar a permitir a caça significa acrescentar pressão humana a populações já fragilizadas”, afirma Sandra Duarte Cardoso, presidente da SOS Animal Portugal.
“Num país que enfrenta os efeitos cada vez mais evidentes das alterações climáticas e da perda de biodiversidade, é fundamental que as políticas públicas reflitam o princípio da precaução”, acrescenta Rita Silva, presidente da ANIMAL.
As organizações sublinham que a proposta encontra enquadramento legal no princípio da precaução, previsto na Lei de Bases do Ambiente, nas Diretivas Aves e Habitats da União Europeia e no artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa, que consagra o dever de proteção da natureza.
A proposta das duas associações incluiu, assim, a suspensão nacional da atividade cinegética por 12 meses, a monitorização científica das populações de fauna silvestre e a avaliação técnica da recuperação dos habitats antes de qualquer retoma
A SOS Animal Portugal e a ANIMAL manifestaram ainda total disponibilidade para colaborar tecnicamente com as entidades públicas na avaliação e implementação de medidas de proteção e recuperação da fauna e dos ecossistemas.
Num cenário de crise climática e ecológica, defendem, reduzir a pressão humana não é ideologia — é responsabilidade coletiva.
Carregue na galeria para ver as imagens dos danos causados pela depressão Kristin no santuário SOS Animal.









