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Associações pedem suspensão da caça por um ano devido ao mau tempo que afectou o País

O pedido surge na sequência dos recentes eventos climáticos extremos que afetaram Portugal com impactos profundos na fauna silvestre.  

A SOS Animal Portugal e a ANIMAL solicitaram esta quarta-feira, 26 de fevereiro, ao Governo e aos Grupos Parlamentares a suspensão da caça em todo o território nacional por um período mínimo de 12 meses, como medida extraordinária de proteção da biodiversidade.

O pedido surge na sequência dos recentes eventos climáticos extremos que afetaram Portugal — tempestades intensas, cheias, destruição de coberto vegetal e degradação significativa de habitats naturais — com impactos profundos na fauna silvestre.

Segundo as organizações, estes fenómenos provocaram: mortalidade direta de animais, perda de áreas de abrigo e alimentação, destruição de locais de reprodução e a deslocação forçada de populações para zonas com menor capacidade ecológica. 

A posição das organizações apoia-se em evidência científica internacional, que demonstra que eventos climáticos extremos estão associados à redução do sucesso reprodutivo, aumento da mortalidade indireta e maior vulnerabilidade das populações selvagens. Nestes contextos, a literatura ecológica recomenda a redução de pressões humanas adicionais para permitir a recuperação dos ecossistemas.

Relatórios do IPCC (2022) e da IPBES (2019) alertam para o risco crescente de declínio da biodiversidade associado às alterações climáticas. Já a European Environment Agency indica que a maioria das espécies e habitats avaliados na UE se encontra em estado de conservação desfavorável, sendo particularmente sensível a impactos cumulativos.

“Os eventos climáticos extremos colocaram a fauna silvestre numa situação de vulnerabilidade sem precedentes. Neste contexto, continuar a permitir a caça significa acrescentar pressão humana a populações já fragilizadas”, afirma Sandra Duarte Cardoso, presidente da SOS Animal Portugal.

“Num país que enfrenta os efeitos cada vez mais evidentes das alterações climáticas e da perda de biodiversidade, é fundamental que as políticas públicas reflitam o princípio da precaução”, acrescenta Rita Silva, presidente da ANIMAL.

As organizações sublinham que a proposta encontra enquadramento legal no princípio da precaução, previsto na Lei de Bases do Ambiente, nas Diretivas Aves e Habitats da União Europeia e no artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa, que consagra o dever de proteção da natureza.

A proposta das duas associações incluiu, assim, a suspensão nacional da atividade cinegética por 12 meses, a monitorização científica das populações de fauna silvestre e a avaliação técnica da recuperação dos habitats antes de qualquer retoma

A SOS Animal Portugal e a ANIMAL manifestaram ainda total disponibilidade para colaborar tecnicamente com as entidades públicas na avaliação e implementação de medidas de proteção e recuperação da fauna e dos ecossistemas.

Num cenário de crise climática e ecológica, defendem, reduzir a pressão humana não é ideologia — é responsabilidade coletiva. 

Carregue na galeria para ver as imagens dos danos causados pela depressão Kristin no santuário SOS Animal.

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