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Ativistas falham resgate de Beagles em instalação de investigação

Era considerado o maior resgate animal de sempre para salvar dois mil Beagles da Ridglan Farms.

Um protesto de grande escala numa instalação de criação de Beagles para investigação biomédica, no estado norte-americano do Wisconsin, terminou em confrontos com a polícia e uso de gás lacrimogéneo, reacendendo uma discussão antiga sobre o papel dos animais, em particular cães, na ciência.

Cerca de mil ativistas pelos direitos dos animais reuniram-se no sábado junto à Ridglan Farms, uma unidade licenciada que cria Beagles para venda a laboratórios e para experiências realizadas no local, para resgatar milhares de cães destinados à experimentação.

A operação falhou. E o cenário que se seguiu foi de tensão

Segundo testemunhas, agentes e seguranças privados recorreram a gás lacrimogéneo e balas de borracha para impedir a entrada dos manifestantes. Pelo menos 26 pessoas foram detidas, de acordo com os organizadores, enquanto as autoridades afirmaram ter apreendido ferramentas que poderiam ser usadas para arrombar a instalação — ainda que nenhum animal tenha sido retirado desta vez, noticia o o The New York Times. 

A tentativa de invasão não foi espontânea. Durante semanas, o grupo Direct Action Everywhere mobilizou ativistas de vários pontos do país (e até do Canadá), defendendo uma ação direta não violenta.

O seu fundador, Wayne Hsiung, já tinha apelado publicamente à participação: queria reunir 2.000 pessoas para “usar todos os meios não violentos para ultrapassar as barreiras da instalação e resgatar os cães”.

As autoridades, cientes do plano, prepararam-se. Reforços policiais de várias localidades e agentes estaduais foram mobilizados, juntamente com a segurança privada da própria empresa.

Quando os manifestantes chegaram — muitos vestidos de preto ou com fatos brancos de laboratório encontraram uma forte presença policial. Avisos foram feitos por altifalantes: qualquer tentativa de invasão resultaria em detenções.

Escalada rápida de tensão

Por volta das 9 horas, o advogado e defensor dos direitos dos animais Wayne Hsiung foi detido antes de entrar no recinto. Pouco depois, a situação deteriorou-se, com vários manifestantes a conseguirem ultrapassar a vedação.

“Só um sistema profundamente corrupto usaria gás lacrimogéneo e balas de borracha contra ativistas pacíficos que estão a salvar cães”, declarou Hsiung posteriormente, a partir da prisão, onde foi acusado de invasão, segundo o jornal norte-americano. 

Do lado das autoridades, a narrativa é distinta. Elise Schaffer, do gabinete do xerife do Condado de Dane, afirmou que os manifestantes tinham sido avisados previamente sobre o uso de gás lacrimogéneo — algo contestado por alguns participantes.

Imagens no local mostram momentos de grande tensão: agentes a apontar armas, manifestantes no chão, confrontos físicos. Um homem identificado como Nicholas Dickman foi detido após tentar entrar por uma abertura na vedação; fotografias mostram-no ferido, com o rosto ensanguentado.

Jenny McQueen, que viajou de Toronto para participar no protesto, descreveu o momento em que a intervenção policial começou: “Enquanto filmava, vi polícia com armas e munições a passar a grande velocidade ao meu lado. Não ouvi qualquer aviso antes dos disparos. Vi uma mulher ser atingida no ombro por uma bala de borracha.” A própria afirmou ter sido atingida com spray de pimenta.

Outro incidente envolveu uma carrinha que atravessou o portão principal da instalação, levando à detenção do condutor.

Um histórico controverso

Este não foi o primeiro episódio envolvendo a Ridglan Farms. Em março, ativistas conseguiram entrar na propriedade e retirar 22 beagles, que foram posteriormente adotados.

Mais significativo ainda: no outono passado, um procurador especial concluiu que a empresa realizou práticas que configuravam maus-tratos animais. Ainda assim, evitou acusação formal, sob a condição de entregar a licença de criação até 1 de julho — o que impedirá a venda de cães a laboratórios externos.

Contudo, a empresa poderá continuar a realizar experiências nos animais que mantém. Ex-funcionários relataram que alguns cães foram submetidos a cirurgias oculares sem anestesia geral — uma alegação que levanta sérias questões éticas, embora a empresa negue qualquer abuso.

O papel dos Beagles na ciência — e na polémica

Os beagles são uma das raças mais utilizadas em investigação biomédica. A sua natureza dócil, tamanho e predisposição genética tornam-nos “modelos” frequentes em estudos toxicológicos e farmacológicos.

Mas são também, paradoxalmente, dos cães que mais empatia geram junto do público.

Este contraste está no centro do conflito. Organizações de defesa animal defendem que existem alternativas científicas viáveis que dispensam o uso de animais. Já a indústria argumenta que, em muitos casos, estes modelos continuam a ser essenciais para avanços médicos — incluindo na medicina veterinária.

Um debate longe de terminar

Apesar do fracasso da invasão, a pressão sobre a Ridglan Farms não diminui. Tentativas de negociação para realojar os cães falharam, e a empresa mantém uma posição discreta — recusando comentar a atuação policial.

Do lado das autoridades, a resposta foi considerada justificada: “A resposta do gabinete do xerife do Condado de Dane às tentativas ativas de invasão por centenas de manifestantes foi adequada e proporcional aos comportamentos observados”, afirmou o xerife Kalvin Barrett.

 

 
 
 
 
 
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