Animais

Bake My Dog Happy tem novos produtos zero waste. E ganhou um prémio a celebrá-los

Tiago e Luísa foram premiados com as cabeças de sardinhas que desenvolveram este ano. Agora, trouxeram novidades.
As cabeças por trás da marca.

O que acontece quando dois amantes de animais e loucos pela ciência se juntam? Só coisas boas. Tiago Braga, um biólogo marinho, e Luísa Custódio, formada em Biotecnologia Vegetal, juntaram as forças para criar a Bake My Dog Happy, um projeto de pré-preparados e snacks naturais de referência no País e agora, pela primeira vez, foram premiados pelo trabalho que têm feito de mãos dadas com a natureza.

Há cerca de um mês, a dupla ficou em segundo lugar no Prémio Inovação Expo Fish Portugal 2023 sob o mote “Inovação e investigação ligada ao setor alimentar do mar”. Luísa e Tiago começaram a desenvolver no início deste ano produtos para os animais feitos de restos de sardinhas que iriam para o lixo, e transformaram-nos em pré-preparados e petiscos.

Entre os produtos que venderam em 2023 derivados da produção zero waste, estão as cabeças de sardinha, farinha de sardinha para fazerem chocolate e o chocolate de sardinha.

“Pela primeira vez na competição, houve algum tema de animais, o que para nós, não é comum. Participam sempre academias ou universidades com projetos voltados para os alimentos humanos”, começa por contar à PiT o biólogo. “Para nós, é bastante importante porque acaba sendo uma validação para as pessoas que estão no setor e fazem investimentos diários. Dá para perceber que a nossa mensagem passa, que estamos no caminho certo e identificam-se com a diferença que tentamos fazer”.

Com o prémio, a dupla avança que consegue investir em “mais materiais, equipamentos e estar mais ligada à academia e à indústria”. Além disso, o concurso serviu como “uma montra” para conhecer mais pessoas e empresas na área. Graças à isso, a Bake My Dog Happy está a desenvolver os próximos produtos feitos de peles de peixe, nomeadamente o salmão.

“Este reconhecimento é muito importante porque as pessoas veem e pensam: ‘Se calhar, isto é bom. Não são só malucos que estão aí a quererem fazer'”, brinca Tiago sobre a visão da população sobre a transformação “do lixo ao luxo”.

Tiago após a entrega do prémio.

Por ano, acumula-se “cerca de 500 toneladas de produtos que não usamos”

Apaixonado pelo mar e todo o universo que o envolve, a importância de ter a natureza em mente foi sempre um dos pilares da Bake My Dog Happy, que teve a sua primeira venda em novembro de 2021. Contudo, nem sempre é fácil conseguir os produtos e é preciso criar uma parceria com as empresas que os geram.

“Em Portugal, se calhar, chega-se a acumular anualmente mais ou menos 500 toneladas em cabeças de peixes, peles, carcaças e todo o resto dos produtos que não usamos”, explica à PiT. “As empresas têm de pagar para aquilo ser recolhido porque não pode ser jogado no aterro normal. Por mais que a decomposição seja algo natural, nesta quantidade, num aterro, obviamente teria um impacto naquela zona”.

Com a parceria que criam com projetos como a Bake My Dog Happy, as grandes empresas deixam de ter despesas com os restos dos alimentos. Pelo contrário, acabam até mesmo por “gerar receita para investir noutras coisas”. Tiago e Luísa compram sempre os produtos que usam diretamente do produtor e depois, nas suas instalações, trabalham-no até conseguirem deixá-lo pronto para a venda.

“Noto que muitas empresas ficam muito contentes porque volta e meia muitas delas são questionadas sobre o que que acontece [com o lixo]”, partilha. “Por exemplo, se estivermos a imaginar uma sardinha daquelas médias, de 30 a 40 por cento do peixe não é usado e isso vai para o lixo. Nesse aspeto, é para eles importante associar-se com pequenos ou grandes projetos que trabalhem isso”. 

Desde este reconhecimento, Tiago e Luísa tiveram mais contacto com novas empresas e começaram a trabalhar num novo projeto que já queriam “há algum tempo”: a pele de salmão, que está planeada para ser lançada oficialmente em 2024. No início deste mês, a Bake My Dog Happy conseguiu 50 quilos do produto e fez 60 unidades de dognuts e sticks como uma espécie de preview para os clientes — foi um sucesso.

“Esgotaram em dois dias e o feedback tem sido ótimo”, refere, acrescentando que um dos segredos da marca é a relação próxima que cria com os clientes — os humanos e também os de quatro patas. Nas redes sociais, são conhecidos como os “Bake Fregueses”.

“As pessoas têm acompanhado tudo. Enquanto estávamos no concurso, fui colocando fotos, falando com elas e quando ganhámos, celebraram connosco. Quando o produto saiu, já conheciam e tinham o carinho por aquilo e quiseram logo serem os primeiros a conseguirem em quantidades tão limitadas”, conta.

Para o ano, o plano é continuar a investir em produtos que trabalhem o desperdício e levar a Bake My Dog Happy mais longe. Para acompanhar as novidades, pode seguir o projeto no Instagram e consultar todos os produtos no seu site.

De seguida, carregue na galeria para saber mais sobre a marca portuguesa.

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