Bunny é a prova viva da resiliência que tantos animais ainda são obrigados a ter para sobreviver pelas ruas do nosso País. A felina viveu anos com uma pata esmagada, até aparecer Catarina, que não desistiu até conseguir capturá-la para lhe assegurar um final feliz.
A ex-apresentadora do Nickelodean não é estranha a resgates. Nas redes sociais, onde é acompanhada por mais de 85 mil seguidores, tem o costume de partilhar os seus esforços para cuidar dos gatos de rua na zona rural de Faro, no Algarve, onde vive. Tem também o hábito de ser Família de Acolhimento Temporário, sobretudo de gatinhos bebés, e já acolheu das ruas três outras felinas, incluindo Siesta, cuja história também contou à PiT.
Catarina nota que apesar de acreditar existir uma preocupação cada vez maior com os animais de rua, “de modo geral, no campo não há tanto esta percepção e sensibilidade”. Porém, se é verdade que “a mão humana pode trazer muitos problemas para os animais”, também é verdade que “pode ser uma ajuda”. Neste sentido, a criadora de conteúdo online conta ter conhecido uma senhora que alimenta e cuida de uma colónia informal perto de onde vive, à qual pertencia Bunny. “Houve uma altura em que haviam 50 gatos. Ela começou a esterilizar e ficou mais controlada, e até conseguimos que alguns fossem adotados”, avança.
A salvadora deu conta da presença de Bunny na zona há cerca um ano. “Comecei a vê-la e notava que ela dava uns saltinhos. Depois começou a aparecer mais quando ia dar-lhes comida, e foi quando vimos a patinha e percebemos que não estava nada bem”, adianta.
Apesar da regularidade com que era vista, a gata não deixava que lhe tocassem. “Chegou a um ponto em que era a única que não estava esterilizada. Havia alturas em que apareciam machos, quando ela estava no cio, e andavam atrás dela, e nós tentávamos afugentá-los. Passei dias em que ia dormir e acordava a pensar nela”, conta.
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A captura não foi fácil
A captura de Bunny revelou-se uma missão particularmente difícil. “Montámos armadilhas emprestadas pelo canil de Faro, mas ela nunca entrava. Chegámos a ir à noite, deixávamos petiscos, nada”, relata. “Eu queria ficar amiga dela e apanhá-la com as mãos porque perdi a fé nas armadilhas”, brinca.
Catarina conta ainda ter sido contactada por associações de vários pontos do País que acompanhavam a história, e que se disponibilizaram para fazer a viagem até ao Algarve para apanhar a felina.
A 4 de maio, o desfecho mudou. “Montei a armadilha já sem esperança, voltei para casa e quando regressei estava lá uma gatinha que já tínhamos apanhado. Soltei-a e pensei se valia a pena montar outra vez ou não, mas montei. Já era de noite quando lá voltei e quando vi estava a Bunny lá dentro”.
Uma amputação e vários tratamentos depois, Bunny espera uma casa
Catarina criou uma angariação de fundos para assegurar o dinheiro necessário para os tratamentos médicos da felina, cujos exames à pata ditaram que uma amputação seria a única opção viável para garantir uma vida sem dor. Através do raio-x, a médica veterinária apercebeu-se ainda da presença de dois chumbos no seu corpo, que foram removidos na mesma operação, a 5 de maio. Mais tarde, no dia 21 do mesmo mês, foram extraídos vários dentes, e realizada a sua esterilização. “Já está pronta para ter uma vida feliz e descansada. Agora o que falta é voltar a confiar em humanos”.
Bunny está a recuperar num espaço que pertence à família de Catarina, mas será entregue a uma amiga da confiança da comunicadora, já que a sua presença na casa onde já tem três gatas não é viável. “A Ana vai tentar fazer magia, e espero que quando já esteja relaxada e a confiar o desfecho seja uma adoção”.
Catarina disponibiliza-se ainda a transportar Bunny, que terá de dois a quatro anos, no momento da adoção, e a ajudar inicialmente com comida e areia.
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