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Cacau foi agredida numa sessão de grooming. Tutores procuram justiça

A patuda tinha apenas 7 meses quando a groomer a sufocou. O ocorrido deixou-a com lesões permanentes.

Cacau nasceu e cresceu como uma patuda normal. Ainda bebé, foi escolhida pelos tutores, que acompanha para todo o lado, incluindo em viagens internacionais, que são documentadas nas redes sociais. Com apenas sete meses, tudo mudou. A Shih Tzu foi agredida durante uma tosquia, e perdeu a autonomia — hoje, precisa do auxílio quase constante dos donos para viver, e o sucedido permanece sem resolução judicial.

O incidente aconteceu a 13 de novembro de 2025, quando os tutores André e Manuela deixaram a cadela no que acreditavam ser uma sessão de grooming rotineira, na área de banhos e tosquias da Clínica Veterinária de Vilamoura, no Algarve. “Quando regressámos estava inanimada. Fomos chamados pelo veterinário que nos disse que ela estava muito agitada e que por isso tiveram de a sedar”, conta o casal.

Assim que acordou, os donos aperceberam-se de que Cacau não andava e que a sua cabeça pendia para o lado direito. Além disso, os olhos “não estavam completamente direitos”. Perante estes sinais, a cadela levada com urgência para o Hospital Veterinário de Portimão. “Ficámos em choque por a vermos assim depois de algo que deveria ter sido simples”, relatam.

A patuda foi vista de imediato. “Disseram-nos que dificilmente sobreviveria”, comenta André. “Ela ficou internada nessa noite para fazer uma TAC, e no dia seguinte disseram-nos que o resultado não evidenciou nenhuma causa específica para o estado dela”, relata.

Sem uma causa identificada mas com os mesmos sintomas, a recomendação dos veterinários do Algarve passou por uma consulta de neurologia para Cacau no Anicura Restelo Hospital Veterinário, em Lisboa, e pela realização de uma ressonância. A segunda avaliação, já no centro da capital, revelou os mesmos resultados. “Ela entrou em estado catatónico, quase em coma. O médico disse que tentaria tudo para salvá-la até que ela pudesse fazer o exame, o que demorou uns dias, mas não nos deu esperança”.

Desta vez, o internamento durou uma semana e meia, durante a qual Cacau começou a dar alguns sinais de melhoria. “Começou a reagir, a abanar a cauda quando a íamos visitar todos os dias e a tentar mexer-se”. 

Os exames revelaram uma massa no cérebro, que os veterinários tentaram resolver de várias formas, incluindo com quimioterapia, que se revelou ineficaz. 

A família pôde finalmente regressar a casa, mas as suas vidas mudaram consideravelmente. Cacau perdeu a mobilidade e a capacidade de suprir as suas necessidades sozinha, incluindo comer e beber. Para Manuela, o retorno significou a decisão de abandonar o trabalho para assegurar o cuidado continuado de que a cadela precisa para sobreviver.

Foi vítima de maus-tratos

A 31 de dezembro, Manuela recebeu uma chamada do diretor da clínica onde Cacau foi sedada e de onde saiu alterada. O mesmo confirmou que a cadela foi agredida após ver as imagens das câmaras de segurança, onde a tosquiadora aparecia a sufocar a cadela. 

A tutora avança ter marcado uma reunião com o diretor para esclarecer a situação. “Disse-me que a Cacau estava muito brincalhona e que ela já estava saturada, e que já tinha feito aquilo a vários cães e que nunca tinha corrido mal“, conta, revelando o choque e o esforço para não se exaltar perante a informação que recebera.

A dona conta ter pedido para que as imagens lhe fossem enviadas, bem como um e-mail com o relato do que foi dito no momento presencial, mas nenhum lhe chegou.

Manuela adianta ainda que a Shih Tzu foi sedada sem o consentimento dos donos depois de ser agredida, e afirma um esforço do centro de medicina veterinária para que tal não pudesse ser provado, já que lhes foi cobrado apenas o valor da tosquia. No início de junho, receberam uma carta dos advogados da clínica, que explicitava que a decisão de sedar a patuda passou pela necessidade de a proteger de danos cerebrais, e que “devido à urgência não foi formalizada a autorização”.

A formalização da queixa

André e Manuela lamentam que Cacau “era completamente saudável, feliz e energética, e neste momento tenta brincar ou correr e cai logo”. Para a ajudar a viver o mais confortavelmente possível, o casal forrou a casa com um material esponjoso, e comprou um carrinho de bebés e um arnês especial para os passeios.

A patuda cumpre ainda sessões de fisioterapia e acupuntura, que já mostram alguns resultados, mas “precisa sempre de apoio”.

Na procura de justiça, foram feitas queixas à GNR, à SOS Animal e à Ordem dos Médicos Veterinários. Aos tutores, resta esperar por respostas destas entidades e encontrar um advogado que os ajude a navegar o caso. “O que pretendemos é garantir que a pessoa que fez isto não volta a fazê-lo a mais nenhum animal”, diz a dona.

Carregue na galeria para conhecer Cacau, que foi agredida durante o grooming.

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