O caso do Canil Municipal de Foz Côa, de onde foram resgatados 73 cães em maio de 2025, continua a ser motivo de audições para apurar a responsabilidade pelos animais que ali eram mantidos sem condições de higiene, sem comida e cuidados veterinários. Esta quarta-feira, 21 de janeiro, foi ouvido José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e do Mar, que disse não ter tido conhecimento da situação.
“Não tinha conhecimento” das queixas e que, caso tivesse, “tinha atuado”, garantiu o governante quando a líder do PAN, Inês Sousa Real, o questionou sobre o conhecimento das denúncias de maus-tratos no canil, avança a Renascença. Como a PiT já avançou contou, estas têm mais de uma década.
“Todos temos responsabilidades, todos temos de atuar”, afirmou. O ministro adiantou ainda que a informação de que dispõe diz respeito à existência de um financiamento de 2022, por parte do ICNF, para a construção de um canil na cidade. Para este concurso, disse, “houve propostas, que não foram admitidas por não cumprirem os requisitos”, garantindo que haverá “um novo concurso”.
A Pedro Frazão, vice-presidente do Chega, o ministro explicou estarem a ser “reforçados os meios” da DGAV, dizendo que “estão em curso concursos” para tais meios. Além disso, defendeu que devem existir delegações para lidar com estas situações, e que a responsabilidade não deve recair apenas sobre o Estado. “Não é só o Estado que faz bem. As associações e os privados às vezes até fazem melhor”, afirmou.
Cães esqueléticos, cadelas grávidas e animais mortos
Como a PiT adiantou na altura, o canil no distrito da Guarda foi encerrado depois de uma denúncia ter dado conta de que os animais viviam “sem condições de salubridade” e “sem cuidados veterinários adequados”. Os cães foram resgatados durante uma operação onde estiveram presentes 40 operacionais pertencentes à GNR, ao IRA e ao ICNF, apoiados da Associação Midas e do Santuário Animal Vida Boa.
A primeira audiência, realizada a 18 de dezembro na Comissão de Agricultura e Pescas, recebeu os dois autarcas e Tomás Pires, líder do IRA, Lígia Andrade e André Fernandes da Associação Midas, e António Brandão, presidente do Santuário Animal Vida Boa.
João Paulo Sousa garantiu que não tinha conhecimento dos meus tratos no canil até ter recebido a notificação na GNR a 2 de setembro, avança o Observador.
O ex-presidente, que ocupou o cargo durante mais de 30 anos, adiantou ainda o trabalho que fez “em proximidade com as pessoas”. “Se alguma vez tivesse conhecimento da situação, como é descrita por entidades e parlamentares, seria evidente que as intervenções necessárias seriam feitas de uma forma muito mais rápida”, assegurou.
O atual presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Foz Côa, José Saraiva, que se fez acompanhar por um advogado, disse não ter comparecido na audição para ser chamado de criminoso, optando por se escudar de mais explicações no segredo de justiça. Contudo, esclareceu que “a junta chegou a apanhar cães errantes porque se formavam matilhas que queriam morder as pessoas”.
Carregue na galeria para ver a operação de resgate e o estado em que os animais foram recuperados.








