Scott Grissom leva Carl praticamente para todo o lado. O cão acompanha-o em viagens de carro, pescarias e caminhadas e conhece bem a quinta de amigos no Tennessee, nos Estados Unidos, onde costuma correr e explorar a propriedade com outros cães. No passado dia 13 de agosto, porém, um passeio que parecia rotineiro transformou-se numa longa noite de aflição, obrigando a um resgate arriscado.
Ao final da tarde, o grupo preparava-se para deixar a quinta e chamou os cães. Carl, um cão de cerca de 15 quilos, não apareceu. Em vez disso, começaram a ouvir os seus latidos vindos da zona de uma falésia.
O local apresentava um desnível de cerca de 60 metros, com uma parede rochosa praticamente vertical. Sem conseguirem perceber exatamente onde estava o animal, Scott e os restantes presentes começaram a procurá-lo.
“Então ouvimos os latidos dele a descer pela falésia”, contou Scott Grissom ao Washington Post.
A escuridão dificultou ainda mais as buscas. Um vizinho, Bert Echols, de 23 anos, juntou-se à operação e levou consigo um drone. As tentativas prolongaram-se pela noite, mas só ao amanhecer foi possível obter uma imagem clara do paradeiro de Carl.
O cão estava preso numa pequena saliência rochosa, cerca de 30 metros abaixo do topo da falésia, junto à entrada de uma pequena gruta. Tinha conseguido manter-se naquele espaço durante aproximadamente 17 horas.
Um resgate de alto risco
Depois de Carl ser localizado, foi necessário montar uma verdadeira operação de resgate. Elementos de quatro corporações de bombeiros deslocaram-se ao local e prepararam uma descida com equipamento de rapel.
Um dos bombeiros desceu pela parede rochosa até alcançar o animal. Carl estava assustado e exausto, mas reagiu aos socorristas abanando a cauda.
O cão foi colocado num saco de transporte e içado cuidadosamente até ao topo. Todo o procedimento de retirada demorou cerca de 20 minutos.
Para Scott, o momento foi de enorme alívio. O tutor estava tão nervoso que nem conseguiu assistir diretamente a toda a operação.
Depois de ser retirado da falésia, Carl foi levado a uma clínica veterinária de emergência. Apesar do cansaço e de algumas lesões ligeiras, não apresentava ferimentos graves. Recebeu tratamento anti-inflamatório e recuperou rapidamente.
Poucos dias depois do resgate, já corria e brincava novamente com as bolas.
Mais do que um cão
O episódio teve ainda um significado especial para Scott Grissom. Carl entrou na sua vida numa altura particularmente difícil: em 2017, a mulher do norte-americano morreu durante um assalto à casa do casal, em Memphis.
Desde então, o cão tornou-se o seu companheiro inseparável. “Ele vai comigo para todo o lado”, contou Grissom, numa relação que tornou aquelas 17 horas particularmente difíceis para o tutor.
O responsável pela quinta onde ocorreu o incidente, Brennan Breckenridge, espera que Scott e Carl continuem a visitar o local. Mas, depois do susto, há uma regra que deverá mudar: da próxima vez, Carl deverá andar de trela.








