Animais

Cão que matou predadores para salvar cadela grávida e ovelhas pode ganhar prémio

Casper tem dois anos e meio e quase deu a vida pela companheira e pelo seu rebanho. Ficou em estado grave mas sobreviveu.
Casper com a família.

Já lá vai um ano desde que a história de Casper, o Cão de Montanha dos Pirenéus que matou oito dos 11 coiotes que atacaram a sua quinta, correu o mundo. Agora, o herói de quatro patas pode ser eleito o “Cão Pastor do Ano” na competição da Farm Bureau, uma organização agrícola norte-americana. As votações já estão abertas e cabe ao público escolher o vencedor deste ano.

Casper está a competir ao lado de quatro cães pastores: Trip e Cinco, ambos Border Collies, Margo, uma Rottweiler e Morgan, uma Boiadeiro de Berna. O grande vencedor, que será anunciado numa cerimónia em janeiro, irá receber um prémio de mil dólares (cerca de 922€) da Purina, uma marca de ração para cães e gatos.

A incrível história do gigante aconteceu numa madrugada de novembro de 2022, quando o tutor, John Wierwille, de 55 anos, acordou com barulhos a virem do jardim da sua quinta na Geórgia. Quando olhou pela janela, viu uma matilha de 11 coiotes a aproximar-se de seu rebanho de cinco ovelhas. Casper já lá estava, pronto para defendê-las.

Enquanto John se preparava para ir até o terreno, o cão pastor saltou uma cerca de um metro e meio e começou a atacar os animais. Nos minutos que se seguiram, apesar de ser uma luta desigual, conseguiu matar oito dos 11 coiotes, afugentar os restantes e manter todas as ovelhas a salvo. Além disso, protegeu Daisy, a sua companheira de quatro patas que estava grávida com os seus filhotes na altura.

Com o corpo cheio de rasgões, o patudo voltou a andar calmamente para casa. “Estava a olhar para mim como se dissesse: ‘Chefe, pare de reparar no quão mal eu estou, apenas cuide de mim’”, disse John ao Atlanta’s WAGA-TV na altura.

Em declarações ao “The Washington Post”, John Heldrich, fundador de uma associação de Cães da Montanha dos Pirenéus, disse que a raça não é nada agressiva. Mas quando se sentem ameaçados, estes cães “fazem de tudo para ter a certeza de que a sua família está segura, inclusive perder a vida”.

“Ele adora os outros animais”

Apesar de ter sobrevivido para contar história e até, possivelmente, ser celebrado com um prémio, Casper foi um verdadeiro milagre. A LifeLine Animal Project, associação para onde o cão foi levado, conseguiu arrecadar mais de 15 mil euros para apoiar os tutores no tratamento. Entre os ferimentos, o gigante tinha um corte enorme no pescoço.

Dias depois do ataque, a 7 de dezembro de 2022, Casper voltou para casa e recuperou-se ao lado da família e de Daisy. Contudo, o tutor recordou à Farm Bureau que tinha quase a certeza de que o companheiro não iria sobreviver. “Eu pensei que ele não aguentaria mais algumas horas”, confessou. “Estava mesmo muito mal, tinha feridas enormes e estavam todas infetadas. Tinha um ferimento grave nas costas e no pescoço, e metade da sua cauda havia sido arrancada”.

Casper e Daisy chegaram à família no mesmo ano, em outubro. “O Casper é um pateta. Ele adora que os outros animais se aproximem dele”, disse John. “Ele deixa as galinhas sentarem-se na sua cabeça e vai até as ovelhas e deita-se nas costas delas. A Daisy é mais reservada, fica para trás e mostra os dentes”, acrescentou.

Por não ter rabo, o gigante teve de encontrar outra forma de demonstrar a alegria. Agora, abana todo o corpo quando está feliz. Em maio deste ano, foi pai pela última vez, pois Daisy teve de ser esterilizada por causa de um problema de saúde. “Ele adorou os seus bebés”, concluiu. Já ao trabalho, o cão pastor voltou a 1 de junho e tem sido um sucesso.

Carregue na galeria para ver fotografias do herói. As votações podem ser feitas através do site e terminam a 20 de dezembro.

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