Animais

Chanel está há 12 anos num abrigo na Póvoa de Lanhoso. Quem lhe mostra o mundo?

Está na associação CAPA desde bebé, com a sua "mana" Esmeralda. É meiga e sociável e não merece morrer sem ter um lar.
Chanel tem 12 anos.

Tem nome de perfume francês e a sabedoria dos anos no olhar. Chama-se Chanel, é doce e sociável, mas nunca conheceu um lar. Desde bebé que está no abrigo do Clube de Adoção e Proteção de Animais (CAPA), na Póvoa de Lanhoso. Doze anos depois, está mais do que na hora de poder dormir com o seu peluche preferido, num lar de amor, com uma família digna desse nome. Será que está desse lado quem quer fazer desta primavera a primeira da vida de Chanel numa casa? Ela espera, ansiosa, por essa oportunidade.

“A nossa querida Chanel nasceu em 2012 e foi abandonada ainda bebé. Foi nessa altura que veio para nós. Cresceu no abrigo e é essa a única realidade e a única casa que conhece”, conta à PiT uma das responsáveis do CAPA. “É uma menina tímida que não passa confiança a qualquer pessoa, por ser receosa. Precisa de tempo e depois confia. Vive com a sua amiga Esmeralda desde sempre e são companheiras inseparáveis, protegem-se muito uma à outra. É sociável com outros cães, mas não aceita qualquer um. Ela é muito protetora com a sua amiga. É afável e muito meiga e, apesar dos seus 12 anos, é uma menina ainda bastante ativa”, sublinha a protetora da Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga.

“Sempre ouvimos dizer que uma Chanel é um amor para a vida, mas agora percebemos porquê. Está aqui connosco desde que, ainda bebé, foi encontrada perdida, deixada ao abandono. Queremos acreditar que estes patudos estão melhor aqui do que entregues à própria sorte, aos desígnios do tempo e da maldade que vemos diariamente, e às intempéries que esperamos que sejam breves. Mas todas as crenças são, em alguma medida ou data, abaláveis. Estar 12 anos confinada a um abrigo seria a vida que a Chanel merecia?”, questiona a associação.

Um carinho de boa noite para a Chanel

Para o CAPA, essa é a maior tristeza: os anos passarem e os patudos permanecerem sem um lar. “Nunca conheceu um ‘dono’, uma família que lhe desse um carinho de boa noite, um restinho do jantar disfarçado debaixo da mesa. Nunca teve um brinquedo debaixo da árvore no Natal, nunca teve um passeio à praia num sábado de sol nem uma visita à neve num domingo de inverno”.

“Queremos acreditar que tornamos a vida destes animais um bocadinho mais fácil de suportar e é com essa condição plena que nos envolvemos afincadamente em cada resgate, mas sabemos que não conseguimos, sozinhos, dar aos nossos cães as vivências que eles merecem. De todo o modo, continuamos convictos de que há quem perceba e apoie a nossa missão e que, para todas as histórias hediondas que infelizmente trazemos ao de cima, haverá um número superior de ‘finais felizes’. O da Chanel pode ainda ser um deles”, diz a sua protetora.

E a esperança mantém-se. “Ainda temos esperança de que a Chanel pode ter, no final desta passagem por aqui, uma vivência muito feliz, junto de uma família que a acarinhe da forma como ela nos conseguiu acarinhar todos estes anos. Contamos consigo nesta aventura?”, desafia a associação.

Estará por aí a família especial por quem a Chanel esperou até hoje? Ser adotada com a sua “mana” Esmeralda seria a felicidade total, mas, se não puder ser uma adoção conjunta, talvez possa visitá-la de vez em quando para matarem saudades. E talvez também a Esmeralda encontre o lar que tanto merece. Quem se apaixona por elas? Percorra a galeria para conhecer melhor a Chanel e a sua inseparável amiga.

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