Animais

Cientistas criam embriões de Lince-Ibérico em laboratório para “aumentar a diversidade genética”

Os investigadores esperam que o novo passo solucione o problema da falta de diversidade genética causada pela diminuição da população.

O Lince-Ibérico mantém a reputação de um dos animais mais ameaços do mundo, mas os esforços de conservação da espécie correspondem a esta urgência. Um novo projeto conseguiu, pela primeira vez, criar embriões destes animais através de fertilização in vitro, com o objetivo de promover a diversidade genética.

A investigação, publicada este mês na revista Theriogenology Wild, utilizou células reprodutoras de fémeas mortas em acidentes e esperma criopreservado (ou seja, conversado a temperaturas extremamente baixas), explica a agência de notícias espanhola EFE

A pesquisa foi um esforço conjunto de três instituições: o Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN), o Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha (CSIC), e a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Complutense de Madrid (UCM). 

Os ovários conservados foram obtidos em Centros de Recuperação de Animais Selvagens que apoiam o programa de conservação do Lince-Ibérico, enquanto o material reprodutivo masculino veio de uma colaboração entre os Centros de Recuperação em Cativeiro do Lince-Ibérico em Espanha e Portugal. Os embriões criados foram então criopreservados por vitrificação (uma técnica que congela os embriões em hidrogénio líquido a -196 graus), e armazenados no biobanco do Museu Nacional de Ciências Naturais.

“Agora precisamos de desenvolver métodos para transferir estes embriões para fémeas reprodutoras, o que, sem dúvida, contribuirá para aumentar a diversidade genética desta espécie”, adianta Ana Muñoz Maceda, principal autora do estudo.

De acordo com a EFE, que cita o MNCN, a população de Linces-Ibéricos aumentou de apenas 100 indivíduos para mais de dois mil entre 2002 e 2024, quando deixou de estar “em perigo” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, criada pela União Internacional para a Conservação da Natureza, passado para a categoria de “vulnerável”. 

Apesar de os números terem melhorado, a perda de diversidade genética permanece um problema, por causar mais doenças e reduzir a capacidade reprodutiva. Os pesquisadores creem que a reprodução in vitro possa solucionar este facto. 

“A nossa pesquisa traz novas opções para o programa de conservação do Lince, pois possibilita que animais que não tiveram a oportunidade de se reproduzir, por exemplo, por terem morrido prematuramente ou por terem problemas comportamentais e não poderem acasalar”, explicou à EFE Eduardo Roldán, investigador do CSIC.

De seguida, carregue na galeria e recorde Aura, a Lince-Ibérico que ajudou a salvar a espécie da extinção.

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