Tudo começou como uma extravagância digna de filme. Nos anos 1980, o narcotraficante Pablo Escobar contrabandeou quatro hipopótamos de África para o seu rancho. Na famosa Hacienda Nápoles, estes animais faziam parte de um “zoo privado” que incluía também rinocerontes, elefantes, girafas e avestruzes — muitos adquiridos no mercado negro. Mas o que parecia apenas mais uma história excêntrica tomou um rumo inesperado.
Após a morte de Escobar, em 1993, a propriedade foi abandonada. Muitos animais não sobreviveram ou foram realojados em jardins zoológicos. Já os hipopótamos ficaram. E prosperaram.
Hoje, mais de 40 anos depois, aquela pequena família cresceu para mais de 170 indivíduos. E não sem consequências: há sinais de consanguinidade, malformações e mutações genéticas.
Espalhados pelas águas do Rio Magdalena, estes gigantes tornaram-se uma ameaça real — tanto para as pessoas como para o ecossistema local. Perante este cenário, o governo colombiano decidiu agir.
A ministra do Ambiente, Irene Vélez, anunciou que foi autorizado um plano para abater pelo menos 80 hipopótamos, embora ainda sem data definida para o início, noticia a Rádio Renascença.
“Se não fizermos isto, não conseguiremos controlar a população. Temos de tomar esta medida para preservar os ecossistemas”, afirmou a responsável.
“Após décadas sem decisões estruturais, o país dá um passo decisivo com a implementação de medidas urgentes que procuram proteger a biodiversidade, reduzir riscos para as comunidades e travar o crescimento acelerado desta espécie invasora. Os hipopótamos foram oficialmente declarados como espécie exótica invasora em 2022, devido aos impactos negativos que geram nos ecossistemas, especialmente na qualidade da água e em espécies nativas como o peixe-boi e a tartaruga de rio”, refere o comunicado do Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável colombiano.
De acordo com as autoridades do país, estima-se que, actualmente, a população ultrapasse os 200 indivíduos e, caso não sejam implementadas medidas de controlo, poderá atingir os 500 exemplares em 2030 e cerca de 1.000 em 2035, aumentando significativamente os riscos ambientais e para as comunidades.










