Animais

Duendes e Guardiões precisam de novo terreno. “Está a ser incomportável”

A associação da Póvoa de Lanhoso tem muitas despesas devido ao enorme espaço que gere e apela à doação de terreno mais pequeno.
Vidas de amor.

A sobrevivência das associações de defesa animal é uma luta diária. Incapazes de virarem costas a animais a precisar de ajuda, os voluntários das associações vão vendo as despesas aumentar – na comida, limpeza, cuidados veterinários, medicação e na manutenção dos abrigos. A maioria não dispõe de quaisquer ajudas públicas, só podendo contar com a solidariedade de quem acredita no seu trabalho. Mas nem sempre isso basta. É o caso da Bosque Encantado, Duendes e Guardiões – que está a passar por uma fase muito difícil e que precisa de um novo terreno para conseguir dar a volta por cima.

“Vamos ter que sair deste espaço. E por isso precisamos de um terreno, mais pequeno, com menos custos de manutenção. Só assim conseguiremos”, diz à PiT a fundadora e presidente da associação – mais conhecida na sua forma simplificada, por Bosque ou Duendes e Guardiões –, Ana Paula Castro.

Em fevereiro, Ana Paula tinha já dado conta, à PiT, da situação difícil que a associação atravessava. “Estamos perante o fim iminente do nosso abrigo”, contou a presidente desta associação de Braga, criada formalmente em 2018. “A nossa associação vive o momento mais crítico da sua vida. O momento que pode ditar o fim de um abrigo que já salvou centenas de animais e que, neste momento, entre cães e gatos, tem 80 animais. 67 cães e 13 gatos”.

“Esta nossa associação, com abrigo para os cães na Póvoa de Lanhoso, caiu num limbo. Os nossos animais são animais de ninguém. É um empurrar de responsabilidades: uns não podem colocar no orçamento porque a verba vai toda para o canil, outros pura e simplesmente ignoram”.

Assim sendo, como têm conseguido sobreviver? “Com a ajuda, única e exclusiva, dos nossos seguidores. Dos que já pagam para patrocinar o bem-estar dos animais dos canis, mas que entendem a justiça da nossa missão”. “A covid, a guerra e a crise afetam tudo e todos, mas a causa animal, como sempre, é a que mais sofre”, lamenta Ana Paula Castro.

Por isso mesmo, neste momento, a alternativa é conseguirem um espaço mais pequeno. O abrigo da Póvoa de Lanhoso é grande, o que também implica avultadas despesas de manutenção – e isso está a ser incomportável. “Precisamos de um espaço mais pequeno. Acho que teria que ser entre meio e um hectare, ou seja, entre os cinco mil e os dez mil metros. Terá que andar por aí, porque temos 67 cães”, explica a presidente da Duendes e Guardiões.

Duendes
Aqui respira-se tranquilidade.

Animais só saem da Duendes e Guardiões para novas famílias

Ana Paula não quer abandonar os animais, como já lhe sugeriram. “Daqui só saem quando são adotados”, garante. No atual abrigo canino do Bosque há 12 canis de 4x4m, e estão a ficar inutilizáveis porque não têm uso. Os animais nunca estão presos. “Estão sempre soltos, com entrada direta para os canis que quiserem e quando quiserem. Eles estão ao ar livre o tempo que desejarem. Isto porque o nosso conceito é um bocadinho diferente – daí o nome Bosque. É que isto é mesmo um bosque”.

“A minha grande necessidade é um terreno muito mais pequeno, porque atualmente, só em despesas de manutenção, são entre dois a três mil euros por ano – é a despesa de quando cá vêm os tratores fazer a limpeza do terreno duas vezes por ano. Mas é preciso fazer manutenção do terreno durante todo o ano. Estamos a falar de um terreno que é monte. As chuvas causam muitos danos, o vento causa muitos danos, há queda de árvores. Portanto, estamos a falar de uma situação completamente dramática”, afirma Ana Paula.

Neste momento, a presidente da associação não consegue avançar com as obras que seria preciso fazer. “Atualmente só consigo assegurar a ração, e isto porque os nossos seguidores não nos falham. Eu tenho pessoas a virem aqui entregar os saquinhos de ração por mês. Outras que enviam 15 euros para comprar um saco. Por isso, fome, os animais não passam. Mas não posso continuar a sustentar este enorme bolo que me obriga a uma despesa, uma fortuna enorme, quando de facto nós só utilizamos meio hectare”.

“Nós poderíamos ajudar muitos mais animais neste momento se tivéssemos ajudas. Não tendo, a única solução é mesmo sair daqui. Não há outra hipótese para minimizar custos. E por isso apelamos à doação de um terreno mais pequeno, e o ideal seria aqui na zona da Póvoa de Lanhoso. Isto para não fugirmos muito do meu local de habitação, que sou eu que cuido, e das próprias colegas que ajudam. Nós não podemos simplesmente ir para outro concelho”, explica Ana Paula.

E reitera: “Até eu ter um terreno, ter um espaço igual ou melhor a este para os receber, os animais não saem daqui a não ser para adoção. Porque eu não quero desfazer-me de animais, como já me foi sugerido por uma das entidades a quem nós recorremos. Mas eu não vou andar a despachar os animais, não vou andar aí a implorar que me fiquem com um ou dois quando eu tenho espaço. Tenho um espaço melhor que muitos canis municipais. Por isso, aqui o que está em causa é mesmo reduzir aos custos do espaço, encontrando um mais pequeno. Se eu conseguir poupar o dinheiro da limpeza de terrenos, da manutenção, e se tudo for mais pequeno, vou poupar o dinheiro e não tenho de andar sempre a pedir”.

BenjamimLeãoKika e Tinoco são alguns dos patudos que chegaram em sofrimento às mãos de Ana e das voluntárias da Duendes e Guardiões, e que hoje vivem bem. Para que possam continuar a ter todos os cuidados necessários, enquanto esperam por lares de amor, basta-lhes um “cantinho” mais pequeno. Estará por aí quem tenha esse terreno tão ansiado e que esteja disposto a doá-lo? Percorra a galeria para conhecer a associação e os cães e gatos do abrigo.

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