Animais

Duendes e Guardiões precisam de ajuda. Associação de Braga está em risco de fechar

São 80 animais para alimentar e cuidar diariamente. Sem apoios públicos, está cada vez mais difícil assegurar-lhes o essencial.
Têm de comer todos os dias.

Bosque Encantado, Duendes e Guardiões – é este o nome de um sonho tornado realidade, quando Ana Paula Castro aliou toda a sua experiência no resgate e cuidado de animais para criar esta associação sem fins lucrativos que ajuda e acolhe cães e gatos até encontrarem boas famílias. Mas o sonho está agora em risco de não prosseguir.

“Estamos perante o fim iminente do nosso abrigo”, conta à PiT presidente desta associação de Braga, que acolhe animais desde 2014 e que foi criada formalmente em 2018. “A nossa associação vive o momento mais crítico da sua vida. O momento que pode ditar o fim de um abrigo que já salvou centenas de animais e que, neste momento, entre cães e gatos, tem 80 animais. 67 cães e 13 gatos”, explica Ana Paula Castro.

O abrigo da associação – mais conhecida como Duendes e Guardiões – “nasceu da necessidade de acolhimento de animais errantes, cujos municípios ignoram”, aponta Ana. E “ignoram, dizem eles, por sobrelotação dos canis municipais. Mas e os animais ficam na rua? A morrer à fome? A serem atropelados, envenenados, magoados?”. São estes animais que a associação ajuda – mas sem apoio monetário corre o risco de não poder continuar a fazê-lo.

“A nossa associação faz o trabalho das câmaras municipais. E o que recebe em troca da parte delas? Desprezo”, lamenta a presidente da Duendes e Guardiões. “Somos uma associação com abrigo próprio, e que acolhe animais, mas que fica excluída dos orçamentos camarários”.

E por que motivo fica excluída desses apoios? Essencialmente devido a três razões, explica Ana: “porque não atua no Centro de Recolha Oficial (CRO), não tendo assim direito a alimentação e cuidado médico-veterinários; porque não entra no programa CED (captura-esterilização-devolução); e porque ‘ajudar’ associações como a nossa seria abrir portas a outras e isso não tem interesse”.

No que diz respeito aos CRO, estes “são pagos pelos munícipes do concelho”, sublinha Ana. “Logo, nós, voluntárias da Duendes, pagamos para que os animais que entram no CRO de Braga tenham todos os cuidados necessários. No entanto, continuam a ser feitos pedidos de donativos para ajudar esses mesmos animais. A verba não é suficiente? Mas uma entidade pública pede ou é conivente com pedidos de donativos para os animais à sua guarda?”, questiona.

Relativamente ao programa CED, Ana Paula Castro explica o motivo de a sua associação não participar: “não capturamos para depois colocarmos de novo na rua”. “Mas por isso não merecemos ajuda? Não há programa para quem não pretende recolocar animais na rua – e como não os há, nem sequer recebemos apoio para as esterilizações. A mensagem parece ser a de que compensa colocar na rua. Mas compensa ao munícipe que paga essas esterilizações ver depois os gatos desaparecerem ou morrerem atropelados? E quem alimenta esses animais? Nós, na Duendes e Guardiões, alimentamos várias colónias, através das nossas voluntárias. E quando um gato é muito dócil, se houver capacidade acolhemos no abrigo. Mas apoios… zero”, lamenta. “Eu não critico o programa CED em si, mas sim a falta de outros programas”.

Em terceiro lugar, salienta Ana, “ajudar um abrigo com capacidade para albergar tantos animais como um canil municipal é um incentivo a que outras pessoas recolham, e isso é de se evitar. Não porque gastem dinheiro, mas porque fazemos ‘ruído’, porque mostramos as fragilidades das entidades competentes. Então, não se ajuda a Duendes e Guardiões para não servir de ‘mau exemplo’”, critica a presidente da associação.

Há quem possa dizer que a associação só recolhe porque quer, já que ninguém o pede, mas Ana rebate essa ideia. “Isso é falso. Recolhemos porque as câmaras municipais não recolhem”, aponta, acrescentando que quem faz parte da Duendes e Guardiões “não sofre da capacidade” de ser indiferente perante um animal que precisa de ajuda.

Duendes e Guardiões estão num limbo

“Esta nossa associação de Braga, com abrigo para os cães na Póvoa de Lanhoso, caiu num limbo. Os nossos animais são animais de ninguém. É um empurrar de responsabilidades: uns não podem colocar no orçamento porque a verba vai toda para o canil, outros pura e simplesmente ignoram”.

Assim sendo, como têm conseguido sobreviver? “Com a ajuda, única e exclusiva, dos nossos seguidores. Dos que já pagam para patrocinar o bem-estar dos animais dos canis, mas que entendem a justiça da nossa missão”. “A covid, a guerra e a crise afetam tudo e todos, mas a causa animal, como sempre, é a que mais sofre. Não pedimos que retirem aos humanos para dar aos animais. Pedimos controlo na aplicação dos orçamentos e, sobretudo, sensatez”, apela Ana Paula Castro.

A presidente da Duendes e Guardiões diz que a única coisa que a associação pede às câmaras municipais é ração. “Mas nem isso nos dão. Portanto, o básico está em causa todos os dias. Um abrigo com esta dimensão é um peso mensal enorme e a ajuda com a alimentação faria toda a diferença. Falamos de 40 kg diários de ração seca, 2,5 kg de ração húmida, para os velhinhos sem dentes, e rações de dieta para os doentes. Um dia fica-nos, só em ração, por 50€”.

“E despesas de veterinário? Vacinas? Desparasitações? Somos nós que arcamos com todas essas despesas, mas não cobramos qualquer taxa de adoção para que isso não impeça uma adoção. Sabem quantas pessoas têm a boa vontade de fazer um donativo por levar um animal ‘preparado’? Quase nenhuma”, lamenta. “Como é possível sobreviver assim? Animais de ninguém ou animais de todos?”.

Por tudo isto, a Duendes e Guardiões corre o risco de vir a ter de fechar portas. Para impedir que isso aconteça, pode dar o seu contributo de várias formas: “Podem ajudar a nossa associação através de donativos em ração de cão e gato, areia, camas, trelas, agasalhos, desparasitantes, medicações ou através de donativos monetários”, explica Ana. Esses donativos monetários podem ser feitos através do MBWay (915 261 228) ou por transferência bancária (0033 0000 4558 8546 941 05). E também podem ajudar apadrinhando animais que estão ao cuidado da associação.

BenjamimLeãoKika e Tinoco são alguns dos patudos que chegaram em sofrimento às mãos de Ana e das outras voluntárias da Duendes e Guardiões, e que hoje vivem bem. Para que possam continuar a ter todos os cuidados necessários, enquanto esperam por lares de amor, precisam da nossa ajuda. Percorra a galeria para conhecer a associação e os cães e gatos do abrigo.

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