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“É como encontrar um unicórnio”. Gato hemafrodita é resgatado da rua

A pelagem tartaruga é quase exclusiva das fêmeas. O minúsculo gato tem características femininas, mas também tem testículos.

É normal cruzarmo-nos com um gato de rua e questionarmos o seu sexo. Por norma, optamos sempre por adjetivos masculinos, mas há características que excluem logo esta opção. É o caso daqueles com pelagem tartaruga — cerca de 99.6 por cento são fêmeas. O motivo? São necessários dois cromossomas X (sexo feminino) para esta alteração acontecer. Mas há quem diga que para toda regra, há uma exceção. 

Cinder, um gato com menos de um quilo, foi resgatado pela Humane Society of Central Oregon, uma associação norte-americana, e chamou logo a atenção dos médicos veterinários: tinha a pelagem tartaruga, mas também tinha testículos. “Ele não tinha útero ou ovários, tinha testículos e o que parecia uma vulva”, explicou a médica veterinária Crystal Bloodworth. 

Crystal acrescentou que se alguém examinasse Cinder quando adulto, provavelmente considerá-lo-ia uma fêmea. Além da pelagem típica das fêmeas, a sua genitália externa é semelhante à de uma gata. Ainda assim, o órgão produtor das hormonas é masculino, sendo o felino considerado um animal hemafrodita (com características de ambos os sexos). 

“Foi como encontrar um unicórnio”, frisa Bailey Shelton, responsável pela clínica veterinária onde Cinder foi examinado. “Embora esteja na área veterinária só há nove anos, este pode muito bem ser um momento único na minha carreira. Falamos sempre na universidade sobre o quão rara é a pelagem de tartaruga em machos, mas ver um pessoalmente é outra coisa. Nunca sabemos as surpresas incríveis que nos aguardam”. 

Um caso extremamente raro.

O gato já encontrou uma família

O felino foi recolhido no fim de abril e foi para uma família de acolhimento temporário como uma gata fêmea, batizada de Cindi. No entanto, quando foi submetido a cirurgia de esterilização, os veterinários descobriram a ausência de um útero e a presença de testículos. Nesta altura, o seu nome foi alterado para Cinder.

A 7 de junho, as boas notícias chegaram com toda a força: já tinha encontrado o seu final feliz. O pequenote foi agora adotado por uma família que já apoiava a Humane Society of Central Oregon e que foi conquistada pela sua meiguice. 

Os médicos veterinários acreditam que as características de ambos os sexos sejam causadas por uma anomalia no cromossoma. Em vez de ter XX como uma fêmea ou XY como um macho, Cinder pode ser um caso onde acontece a junção de ambos: ou seja, XXY. A cor é uma características da sua parte feminina e os testículos do cromossoma Y. 

Crystal Bloodworth confessou que já fez centenas de cirurgias na sua carreira como médica veterinária, mas só encontrou um gato-tartaruga e poucos animais hemafroditas. “Chamá-lo de macho é difícil, mas devido a natureza binária dos animais e a perceção que as pessoas têm sobre isso, escolhemos macho”, explica. 

Percorra a galeria para saber mais sobre o pequeno e especial Cinder. 

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