A EPAL está a dar um novo passo na construção de uma cultura mais inclusiva, sustentável e próxima da comunidade. A empresa responsável pelo abastecimento de água em Lisboa lançou um novo projeto pet friendly que pretende melhorar a experiência dos clientes, apoiar associações e promover a reintegração social — tudo através de uma abordagem inovadora que une bem-estar animal, sustentabilidade e responsabilidade social.
A Pets in Town entrevistou Marcos Sá, diretor de comunicação, marketing e educação ambiental da empresa, que nos falou sobre a origem deste projeto, as iniciativas em curso e os projetos para o futuro. A ocasião foi também uma oportunidade para conhecer três dos parceiros da EPAL no projeto A EPAL é Pet Friendly.
Esta iniciativa nasce, segundo Marcos Sá, da necessidade de acompanhar uma transformação social cada vez mais evidente: os animais de companhia passaram a ocupar um lugar central nas famílias portuguesas.
Um serviço mais próximo dos tutores
O novo conceito pet friendly da EPAL permite que os clientes se façam acompanhar pelos seus animais durante as deslocações à loja sede da empresa. A medida pretende garantir maior conforto e conveniência aos tutores, tornando tarefas do quotidiano — como pagamentos, contratos ou leituras — mais simples e acessíveis.
“Há muitas pessoas que têm animais de companhia e que gostam de estar acompanhadas por eles no seu dia-a-dia quando vão a um restaurante, a uma esplanada, a um museu ou a uma loja de atendimento.” E a loja sede da EPAL, situada na Avenida da Liberdade, em Lisboa, proporciona essa possibilidade aos seus clientes.
Para a empresa, esta adaptação representa “o novo normal” numa sociedade onde os animais têm um papel cada vez mais relevante na vida urbana e familiar e vai ao encontro de tendências internacionais que apontam para uma crescente integração dos animais em espaços públicos e ambientes profissionais.
Construir comunidades mais ativas e solidárias
Mas este projeto vai muito além da política pet friendly da empresa e do apoio à causa animal. Reforça também a importância que a sustentabilidade e a responsabilidade social têm para a empresa.
“Para além da causa animal e da defesa dos direitos dos animais e das famílias que com eles convivem, acreditamos que estamos também a promover valores e princípios fundamentais para construir comunidades mais ativas e solidárias. Esperamos contribuir para uma sociedade mais coesa, onde exista um propósito comum e uma verdadeira ligação entre as pessoas”, afirma Marcos Sá.
O responsável explicou à PiT que a EPAL procura desenvolver projetos que tenham um impacto positivo na comunidade, destacando, neste caso, a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade e a criação de oportunidades para quem procura recomeçar a sua vida.
“Queremos criar uma nova centralidade para a participação cívica. Por exemplo, através dos nossos canais de comunicação, podemos mobilizar clientes para entregar materiais que posteriormente serão distribuídos pelas associações. Isto beneficia as associações, mas também promove a cidadania ativa. As empresas podem e devem assumir esse papel mobilizador”, acrescenta.
Além disso, sublinha Marcos Sá, “as associações desempenham um trabalho essencial para a comunidade. Muitos dos animais abandonados que acolhem poderiam tornar-se um problema de bem-estar animal e até de saúde pública se não existisse esta resposta. Por isso, encaramos este trabalho numa lógica de parceria, procurando apoiar e valorizar o que estas organizações fazem diariamente”.
“O nosso objetivo é unir as dimensões social, ambiental e de serviço à comunidade. Queremos apoiar as associações de proteção animal, mas também demonstrar que este modelo pode ser replicado noutras áreas. No futuro, gostaríamos de ver mais empresas e mais instituições a trabalhar em conjunto, porque isso permitirá criar escala, gerar mais oportunidades de emprego e promover uma integração social mais sólida e sustentável.”

Fardas antigas transformadas em produtos solidários
Foi neste contexto que a EPAL decidiu associar-se à startup especializada em upcycling e reutilização United to Remake e à ReshapeCeramics, uma organização que se dedica à reintegração socioprofissional de pessoas que estão ou estiveram privadas de liberdade.
“Queremos, acima de tudo, mostrar que estas pessoas têm talento, capacidade crítica e competências para desenvolver projetos com qualquer empresa ou organização. Se conseguirmos juntar impacto social, apoio à comunidade e valorização das pessoas, estaremos a construir algo verdadeiramente transformador”, garante Marcos Sá.
Em conjunto com a United to Remake, a EPAL criou a coleção PET Friendly: “Eu Já Fui Farda”, que visa dar uma nova vida às antigas fardas da empresa, transformando-as em produtos reutilizados. Os primeiros produtos criados foram uma coleira, uma trela e um brinquedo torcidinho.
O trabalho da United to Remake, liderada por Francisca Macedo, permite a reintegração de pessoas em situação de vulnerabilidade, e promove oportunidades de trabalho e inclusão social. “A nossa equipa é constituída por pessoas com percursos de vida muito diferentes mas todos partilham o mesmo objetivo”, conta a responsável.
Francisca Macedo explica que o trabalho United to Remake passa por desmaterializar peças inteiras: retirar componentes, abrir costuras, remover acessórios e fazer uma separação minuciosa de todos os materiais “para que possam voltar a entrar num circuito de reutilização ou reciclagem”. “É um trabalho extremamente exigente e moroso”, garante.
“Tudo o que fazemos assenta em três pressupostos fundamentais: gerar valor social, promover a sustentabilidade ambiental e criar soluções economicamente viáveis.”

Criar emprego, capacitar pessoas e produzir peças de cerâmica com impacto social
Com a Reshape Ceramics, liderada por Rui Monteiro, foram criadas peças essenciais para o dia a dia dos animais de companhia: uma taça para água e uma taça para comida. Cada peça é produzida manualmente, incorporando cerca de 70% de grés fino e 30% de excedentes de produção, valorizando materiais e reforçando o compromisso com a economia circular.
Rui Monteiro descreve este projeto como uma experiência “simplesmente espetacular”, destacando que o apoio da EPAL representa não apenas um desafio, mas também uma oportunidade para desenvolver a atividade da organização e concretizar a sua missão de criar emprego, capacitar pessoas e produzir peças de cerâmica com impacto social.
O responsável da Reshape Ceramics explicou à PiT que esta parceria fica marcada por uma procura constante de superar expectativas e alcançar resultados cada vez melhores, permitindo responder simultaneamente a objetivos estéticos, funcionais e de sustentabilidade. “O desafio passou por criar peças atrativas para os consumidores, mas que também reflitam os valores da EPAL, nomeadamente a portabilidade, a responsabilidade ambiental e uma visão integrada da sustentabilidade”.
Rui Monteiro destacou, ainda, que a Reshape Ceramics tem como principal objetivo promover a capacitação e a empregabilidade de pessoas que estiveram privadas de liberdade. Nesse sentido, a organização não contrata pessoas para produzir cerâmica; pelo contrário, produz cerâmica para criar oportunidades de emprego e facilitar a reintegração social desta população.

Sensibilizar para a adoção responsável
Além da Reshape Ceramics e da United to Remake, a Casa dos Animais de Lisboa também integra este projeto, numa colaboração que pretende reforçar a sensibilização para a adoção responsável e dar maior visibilidade ao trabalho desenvolvido pela instituição.
De acordo com Sofia Baptista da CAL, a colaboração é encarada como um exemplo de trabalho conjunto entre entidades que partilham a mesma visão de bem-estar animal e de integração dos animais de companhia no quotidiano das famílias.
“A EPAL considera que é cada vez mais importante criar soluções que permitam que os animais façam parte da vida das pessoas de forma natural, deixando de ser vistos como um obstáculo às rotinas diárias. Nesse sentido, a parceria procura gerar sinergias e aumentar a notoriedade tanto do projeto como da própria Casa dos Animais de Lisboa” afirma a responsável.
O futuro do projeto A EPAL é Pet Friendly
O projeto A EPAL é Pet Friendly foi, oficialmente lançado no dia 20 de março, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Água. À beira de completar três meses, há muitas ideias e projectos em cima da mesa para o futuro.
Entre as ideias em desenvolvimento está a realização de um desfile de moda que envolva jovens designers e que integre cães com peças e materiais produzidos no âmbito dos projetos da organização. “A ideia foi bem recebida e vamos avançar nessa direção”, garante Marcos Sá.
Outra das propostas em estudo é a criação de um livro de receitas para cães, concebido numa perspetiva de sustentabilidade. A publicação deverá combinar sugestões alimentares para animais de companhia com mensagens de sensibilização ambiental, promovendo hábitos de consumo mais conscientes.
Marcos Sá explica que a ideia é utilizar o interesse crescente dos tutores pelos cuidados com os seus animais para transmitir conceitos mais abrangentes relacionados com a sustentabilidade.
“O interessante é que não estamos apenas a falar de cães. O cão funciona como ponto de partida, mas aquilo que queremos transmitir é uma mensagem muito mais abrangente sobre sustentabilidade e responsabilidade ambiental. A ideia é que a pessoa esteja a preparar uma receita para o seu animal, mas ao mesmo tempo esteja a absorver e a interiorizar conceitos ligados ao ambiente e à utilização consciente dos recursos”.
O objetivo é utilizar estas experiências para aproximar as pessoas dos temas ambientais. Através de algo divertido e emocionalmente próximo, conseguimos introduzir conceitos de sustentabilidade de uma forma mais eficaz e natural.
“No fundo, embora estejamos a trabalhar com animais, aquilo que estamos realmente a fazer é transmitir mensagens ambientais. E acreditamos que isso é fundamental”.
Outro projeto passa pela criação de cenários instagramáveis. “Já temos uma proposta em desenvolvimento para apoiar as nossas entidades parceiras, permitindo-lhes trazer os seus animais para adoção e divulgar essas iniciativas nas redes sociais. Ao mesmo tempo, queremos abrir essa experiência à comunidade em geral, permitindo que qualquer pessoa possa trazer o seu animal de estimação para um espaço diferente e apelativo.”
Uma das grandes preocupações da EPAL passa por encontrar novas formas de comunicar temas relacionados com a sustentabilidade a públicos que tradicionalmente demonstram menor envolvimento com estas questões. Nesse sentido, considera importante recorrer a formatos mais criativos, capazes de despertar interesse e gerar uma maior adesão às mensagens transmitidas.
A estratégia inclui também uma forte aposta na comunicação digital. Como exemplo, Marcos Sá destacou o lançamento recente de uma presença ativa no TikTok, numa tentativa de chegar às camadas mais jovens da população e adaptar a comunicação aos novos hábitos de consumo de conteúdos.
O responsável salientou ainda que a organização procura assumir um papel pioneiro no desenvolvimento de boas práticas, defendendo que os projetos bem-sucedidos devem ser partilhados e replicados por outras entidades. Na sua opinião, a disseminação de exemplos positivos permite ampliar o impacto das iniciativas e acelerar a adoção de soluções inovadoras em diferentes setores.
Por isso, considera natural que outras organizações venham a seguir caminhos semelhantes, sublinhando que o mais importante não é a exclusividade das ideias, mas sim a sua capacidade para gerar benefícios reais para a comunidade, para os animais e para o ambiente.








