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Espanha autoriza caça ao Lobo-Ibérico. Ativistas propõem esforço de conservação com Portugal

O país vizinho permite que os Lobos sejam mortos, o que derrota os esforços de conservação no nosso País.

Se para os humanos a fronteira entre Portugal e Espanha é tida em consideração, para os animais a distinção não existe. Porém, para a população de Lobos-Ibéricos que residem entre as duas nações, a diferença entre estarem em Portugal ou Espanha pode ser a de sobreviverem, já que no país vizinho estes animais podem ser mortos — um facto que levou organizações ambientalistas a apelar aos governos que articulem uma estrutura de gestão conjunta de proteção da espécie.

A Rewilding Portugal, o Fondo para la Protección del Lobo Ibérico e a Green Impact ETS uniram-se para pedir aos governos português e espanhol a criação de uma estrutura permanente de gestão conjunta do Lobo-Ibérico, inspirada no modelos que permitiu conservar o Lince-Ibérico, afastando-o do perigo de extinção, avança o Público.

Em comunicado, as organizações adiantaram que “um Lobo protegido em Portugal pode ser abatido do outro lado da fronteira, em Espanha”, defendendo que “os dois países têm de gerir em conjunto uma população partilhada”.

As entidades sugerem a criação de “uma estrutura binacional Portugal-Espanha para o Lobo-Ibérico, assente no mesmo modelo comprovado que salvou o Lince-Ibérico da extinção”, e notam que “o Lobo-Ibérico constitui uma única população biológica partilhada por Portugal e Espanha, mas os dois países gerem-na ao abrigo de regimes jurídicos radicalmente diferentes”. 

Enquanto que em Portugal os Lobos contam com uma “proteção rigorosa”, em Espanha podem ser abatidos desde março de 2025, o que significa que “o investimento em conservação realizado em Portugal é, em parte, sistematicamente anulado do outro lado da fronteira”.

Os ativistas notam que, entre 2008 e 2013, foram abatidos legalmente em Espanha 623 Lobos, ao passo que nenhuma morte foi registada em Portugal. Segundo os registos, 47 por cento dos animais mortos com coleiras de GPS localizados inicialmente no nordeste de Portugal foram abatidos pela caça furtiva.

As organizações não-governamentais propõem que a coordenação da estrutura seja concretizada num esforço conjunto do Instituto da Natureza e das Florestas (ICNF), em Portugal, e pelo Ministério da Transição Ecológica de Espanha. O objetivo seria “elaborar uma estratégia conjunta de conservação e um único recenseamento anual partilhado da população transfronteiriça, com base numa metodologia harmonizada e em dados partilhados – os mesmos instrumentos que sustentam a recuperação do Lince”.

De seguida, carregue na galeria para ver algumas fotografias do Lobo-Ibérico captadas pelo fotógrafo português Carlos Pontes.

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