Animais

Este Pitbull que esteve prestes a ser abatido, agora dedica-se a terapia para miúdos

Jake não estava doente, mas era considerado uma raça "reativa". Foi resgatado por uma psicóloga e tem muito amor para dar.
Jake está quase a terminar o treino.

Jake esteve perto de se tornar vítima dos estereótipos da raça. Com cerca um ano, o Pitbull foi levado para um abrigo. A energia eufórica de um filhote misturada com a curiosidade de mudar-se para um novo sítio fazia com que o cão estivesse sempre a puxar a trela e a saltar pelo recinto. A raça, o tamanho e a força que tinha deram uma sentença ao animal, que foi considerado como “reativo” e, consequentemente, um problema.

O cão vivia num abrigo nos Estados Unidos e de acordo com a American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (ASPCA), uma organização que promove os direitos dos animais, mais de 900 mil cães e gatos residentes em abrigos são eutanasiados por ano no país. Não só em casos de doenças, mas também para evitar a superpopulação e animais considerados “impróprios” para a adoção. E Jake esteve perto de ser adicionado à lista. Mas este ano, tudo mudou para o Pitbull.

Em junho, Jake foi transferido para a Best Friends Animal Sanctuary, uma associação de bem-estar animal. Lá, começou a participar de treinos comportamentais até que, certo dia, uma das voluntárias resolveu entrar em contacto com uma amiga profissional na área. “Conheço este ótimo cão que pode ser adequado para ludoterapia”, dizia a mensagem enviada para Risë VanFleet, psicóloga, treinadora profissional e presidente do Instituto Internacional de Terapia Assistida por Animais.

A técnica trata-se de um processo em que os psicólogos recorrem ao ato de brincar para compreender o comportamento de miúdos e adolescentes. E Risë junta o útil ao agradável, a misturar a ludoterapia com a terapia assistida por animais. “Ela enviou-me fotografias e vídeos [de Jake], e eu sempre pedia mais”, disse a psicóloga num testemunho. “Quanto mais via, mais gostava”.

Poucos dias depois, resolveu adotar Jake oficialmente. Após buscá-lo na associação e levá-lo para o seu novo lar, no Estado da Pensilvânia, Risë começou a observar o comportamento do cão e dar início aos treinos de paciência e reatividade. Quatro meses depois, em outubro, o Pitbull estava pronto para o primeiro teste no terreno.

Uma carreira em progresso

Além de Jake, Risë é tutora de dois cães e dois gatos. E apesar do Pitbull ser maior do que os “irmãos” de quatro patas, todos acostumaram-se rapidamente com a sua presença. Com a ajuda da dona, os canídeos estão a ensinar Jake a completar o treino como cão de terapia.

“Tento não treinar demasiado os meus cães, mas obviamente eles precisam aprender a viver educadamente com os outros animais e connosco”, explica Risë. “Estes são os principais pontos que trabalhamos. A maior parte do tempo é gasto observando-os a brincar, a divertir-se e a entender quais são os seus limites quando eles ‘perdem a cabeça’ com o entusiasmo excessivo”.

Além da paciência e educação, os treinos comportamentais de reatividade são a chave para conhecer a personalidade de cada animal. “Se os meus cães trabalham, e nem sempre o fazem, é porque querem, gostam e são adequados para isso”, frisa a psicóloga. “O trabalho é divertido e isso faz parte. Leva tempo para construir a parceria, e Jake ainda não trabalhará com clientes reais por algum tempo mas acho que ele será ótimo quando o momento chegar”.

De acordo com a Best Friends Animal Sanctuary, Jake tem sido um “verdadeiro profissional” desde o começo e tem recebido vários elogios. “Quando não estava a interagir com o grupo, Jake divertia-se com os brinquedos da caixa de brinquedos, atirando-os alegremente para o lado. Assim que Risë percebia que ele estava a ficar cansado, ela levava-o de volta para casa para uma pausa”, disse a associação.

Já a tutora, não poderia estar mais orgulhosa do Pitbull. “Estou muito satisfeita a sua evolução até agora. Acho que ele será um ótimo cão de ludoterapia”, diz. “Se por algum motivo ele não se der bem com as famílias, e até agora não vi nenhum sinal disso, ele será um ótimo cão para fazer-nos companhia no escritório”, conclui.

Percorra a galeria pra conhecer melhor Jake.

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