Animais

Fofinho foi atropelado e está a recuperar numa jaula. Quem o ajuda a ter espaço?

É muito meigo e precisa andar para exercitar uma das patas, mas não consegue fazê-lo num lugar fechado. Procura um lar ou FAT.
É adorável.

Fofinho viveu grande parte dos seus sete anos à sombra. O gato pertencia à uma colónia controlada em Barcelos, distrito de Braga, e já estava habituado a ficar sozinho. Afinal, entre os outros animais, era aquele que “levava sempre porrada”. Até que de um momento para o outro, quando foi atropelado no feriado de 5 de outubro, toda a atenção voltou-se para ele.

Por volta das 23 horas daquele dia, Pedro Ferreira, cuidador da colónia, recebeu uma chamada de uma vizinha a noticiar o atropelamento do gato. Ao lado de Cristina Cachada, a sua companheira, correu até ao local para o resgatar. “A pessoa que o atropelou não tinha condições de assumir esta despesa”, lamenta à PiT Cristina. “Nós também não, mas pensámos nele e não propriamente no dinheiro que íamos gastar”.

Fofinho estava a arrastar as duas patas traseiras, ambas fraturadas devido ao impacto, e foi de imediato encaminhado para uma clínica. “O tempo que estivemos à espera da cirurgia, a pata direita, que tinha fratura exposta, ganhou uma infeção”, recorda. “A pele que estava aberta começou a necrosar e neste momento, é a mais complicada, ele ainda não a pousa”.

O rechonchudo foi submetido a duas intervenções cirúrgicas e está a fazer troca de pensos na pata mais afetada duas vezes por semana. A 30 de novembro, recebeu alta da clínica veterinária e, desde então, tem vivido numa jaula na associação de resgate Street Dogs, que o acolheu para ajudar Pedro e Cristina.

“O ideal era ele ter uma casa, nem que fosse de acolhimento temporário porque ele precisa de andar para reforçar a pata. Dentro da jaula, não consegue fazer isso”, explica. O casal precisa ainda de ajuda para pagar as despesas de Fofinho. Após os vários exames que passou na clínica, foi descoberto que também sofre de FIV (a SIDA dos gatos). Além das cirurgias e internamento, tem recebido medicamento para controlar a doença.

Para ajudar nas despesas, Cristina criou recentemente uma página, tanto no Instagram quanto no Facebook. Pode enviar qualquer ajuda, até mesmo 1€ através do Mbway (911118831) ou IBAN (PT50 0045 8746 4038 0733 8802 0). Todas as faturas estão disponíveis em ambas as redes.

Cristina lamenta o pouco apoio da Câmara de Barcelos

Quando salvaram Fofinho, Cristina e Pedro não tinham a certeza de que o patudo conseguiria ser submetido a cirurgia. “Não fizemos a página mais cedo porque pensávamos mesmo que ele ia ficar abatido por ficar numa jaula e que fosse mais para o silvestre do que um gato meigo”, confessa. “Há sete anos que está na rua, nunca acharíamos que ele fosse realmente meigo, mas ele mostrou-nos que era possível algum dia alguém ficar com ele. Foi por isso que avançamos com os cuidados”. 

Na rua, Fofinho era o mais descontraído. “Ele levava porrada de todos os gatos e era preciso um cão se aproximar mesmo dele para fugir, porque também não fugia”, conta-nos. “Foi por isso que foi atropelado. Um gato da colónia ia atrás dele a bater-lhe e ele correu para a estrada no momento em que o carro ia passar. Ou seja, teve azar no meio disso tudo”.

Além dos problemas em juntar as despesas, o casal tem lamentado a resposta da Câmara de Barcelos sobre o caso. Há pouco tempo, a autarquia fez uma parceria com a associação Street Dogs para esterilizar a colónia de Fofinho. No primeiro acordo, segundo nos conta Cristina, nenhum dos animais teria recebido um microchip.

“Há animais de rua que receberam e outros não”, explica. “Tentámos contactar a Câmara para saber de que forma podia ajudar-nos, porque foi um gato que foi esterilizado através dela. A única resposta que me deram, passado uma semana, foi a do veterinário municipal que disse que o assunto foi falado entre eles internamente e que não nos iam ajudar porque ele não tinha microchip”.

Outro problema que o médico terá mencionado a Cristina é que o casal não contactou a Polícia de Segurança Pública (PSP) quando Fofinho foi atingido pelo carro para ser recolhido pela Câmara.

“Duvido muito que às 23 horas, alguém ia levantá-lo. Barcelos não tem nenhum sistema de recolha de animais 24 horas, é por isso que muitas pessoas olham para o lado e não ajudam os animais porque sabem que quem vai ter de arcar com os gatos são os privados”, refere. “A Câmara sabe muito bem que no primeiro acordo não colocou o microchip, o gato tem a orelha cortada, pertence a uma colónia controlada que tem uma casinha oferecida pela autarquia. Acho isso uma irresponsabilidade do nosso município que não ajuda os nossos animais em nada mesmo”, lamenta.

De seguida, carregue na galeria para conhecer Fofinho, que faz jus ao nome que leva.

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