Animais

Animais

Free Acro Souls: vencedores do Got Talent dedicam atuação final aos seus cães

Inês Duarte e Luís Martins são tutores dedicados. Há 10 anos que os animais fazem parte das suas coreografias.

Quem testemunha o trabalho de Inês Duarte e Luís Silva constata facilmente o talento e dedicação da dupla ao projeto Free Acro Souls, que lhes valeu o primeiro lugar na mais recente edição do concurso Portugal Got Talent. O que o público não sabe, é o papel que os animais têm na vida deste casal, que inclui os seus patudos em tudo o que faz, e sem os quais as acrobacias talvez nunca tivessem chegado aos ecrãs.

Este compromisso para com os pets fazia parte da vida de ambos antes mesmo de se conhecerem. Há 10 anos, quando se juntaram, Inês, 37 anos tinha os cães Soja e Caramelo; Luís, 45, tinha Quick e Poko, “todos resgatados e adotados de associações”. 

Os patudos de Inês seguiam-na para todo o lado. Então, trabalhava com cavalos, o que permitia aos animais acesso a espaços amplos e ao ar livre. Já Luís, com o emprego num banco, optava por criar uma rotina à volta dos passeios dos seus cães.

Inês menciona as idas diárias ao Cais de Gaia e à Ribeira do Porto, quando começaram a cruzar-se com artistas de rua e a dar os primeiros passos nesta vertente mais artística. A rotina era sempre cumprida na companhia dos animais, que acompanhavam os tutores naturalmente.

Foi com a mesma naturalidade que os cães começaram a juntar-se aos treinos. Quick, que já morreu, foi o primeiro a integrar a equipa e “começou a fazer parte dos espetáculos”, que juntam acrobática com acroyoga.

Poko seguiu os passos do irmão, e tem-se juntado aos tutores durante os espetáculos. O cão chegou à vida de Luís quando este fazia voluntariado enquanto família de acolhimento temporário numa associação, e o facto de ser “completamente louco” fez com que acabasse por ficar. “Ele é cheio de energia, e levava esta loucura para a agressividade. Na associação não sabiam o que fazer, e ele ia ser abatido. O Luís acabou por ficar com ele porque sentiu que ele tinha muito potencial, e investiu imenso tempo nele”, adianta a tutora.

Inês, que além de tutora e acrobata é também mãe de Lourenço, de 11 meses, descreve o cão como “muito esperto” e nota a sua “capacidade de se adaptar aos seres humanos para ter o que quer”. “É o mais velho, já tem cerca de 13 ou 14 anos e é o que tem mais energia”, comenta.

Poko foi o elemento surpresa na atuação vencedora

A dupla levou para palco uma atuação que misturou dança acrobática com acroyoga: a prática que os define e que continuam a desenvolver há mais de uma década. Mas, desta vez, houve um detalhe especial: o número contou a própria história do casal que, claro, passou pelos animais.

“Começámos pela dança, que foi onde nos conhecemos, e depois mostramos a transformação para o acroyoga, que é o que nos distingue hoje”, explicam. Pelo meio, houve ainda espaço para um dos momentos mais emocionantes: a presença de Poko. “Quisemos dedicar este número aos nossos cães, porque foi por causa deles que tudo começou.”

É certo que o cão vive habituado aos truques mas, entre as luzes da ribalta, poderia deixar-se intimidar. A tutora garante que não é o caso, afirmando que estar em palco só o deixa “mais imponente”. Além disso, comenta que é um ótimo parceiro de acrobacias, tendo aprendido o momento de entrar apenas pela música. “Desta vez tivemos de fazer alterações e inseri-lo na nossa música, e só tínhamos duas semanas para o prepararmos. Mesmo assim, ele foi incrível”.

Os ensaios e a presença no estúdio foram passados com entusiasmo por Poko. O maior desafio apontado por Inês é a ansiedade do cão, que por vezes leva a melhor, fazendo com que ladre enquanto espera para se juntar à dupla, e revelando o elemento surpresa. 

Sobre a vitória, o casal diz à NiT esperar que ajude a dar visibilidade a uma prática ainda pouco conhecida. “O acroyoga é muito bonito, tanto para quem pratica como para quem vê. Se conseguirmos inspirar mais pessoas, já valeu a pena”, dizem. No fim, foi isso que ficou. Uma vitória que não se explica só com técnica, mas com história, ligação e um percurso feito fora dos palcos: entre ruas, viagens, cães e, agora, um bebé que já faz parte desta vida em equilíbrio.

Carregue na galeria para conhecer a família Free Acro Souls e os seus patudos.

ARTIGOS RECOMENDADOS