Animais

Gouveia e Melo ‘salva’ cão resgatado do mar. Rex vai ser fuzileiro da Marinha

O almirante, que liderou a task force de vacinação Covid, soube da história e interessou-se pelo cão, que já se juntou à família.
A caminho das novas funções.

Há histórias que não sabemos como começaram. Apanhamo-las a meio, com animais abandonados e em perigo, e ficamos à espera de as ver terminar com um final feliz. A história deste Pastor Alemão é uma delas. Não se sabe onde nasceu nem como foi tratado até ao dia em que foi encontrado à deriva – e a correr risco de vida.

Tudo aconteceu no passado dia 29 de agosto, quando os elementos do Comando local da Polícia Marítima de Viana do Castelo resgataram, em colaboração com os nadadores-salvadores da associação Coordenada Decimal, um Pastor Alemão que se encontrava isolado numa rocha no mar da praia vianense do Lumiar.

“Na sequência de um alerta recebido pelas 18h00, através de um popular que se encontrava no local, a informar que se estava um cão isolado numa rocha na água, junto à praia do Lumiar, foram ativados para o local elementos do Comando local da Polícia Marítima de Viana do Castelo e do Programa Praia Segura. Para o local deslocaram-se também elementos da Associação de Nadadores-salvadores Coordenada Decimal”, contou nessa altura a Autoridade Marítima Nacional na sua página do Facebook.

Os elementos da Polícia Marítima, com o apoio dos nadadores-salvadores e de um elemento do Programa Praia Segura, “efetuaram o resgate do cão para terra, onde se constatou que o animal se encontrava bem fisicamente e bem nutrido, não apresentando sinais de maus tratos”, acrescentava a publicação.

O patudo não apresentava identificação na coleira ou chip, tendo os elementos da Polícia Marítima “iniciado diligências junto do canil intermunicipal de Viana do Castelo para entregar o cão”, que foi posteriormente entregue à associação Resgate Adoção Viana (RAV), tendo ficado ao seu cuidado.

Membro canino da Marinha

Menos de dois meses depois chega a grande notícia, o tal final feliz por que todos esperavam. O Rex do Lumiar, nome que lhe foi dado pela associação, já tem uma casa. E não é uma casa qualquer: é a Marinha Portuguesa.

O anúncio foi feito pela RAV no Facebook, nesta quarta-feira, 19 de outubro: “Vimos por este meio informar que, a pedido do Almirante Gouveia e Melo, se deslocaram hoje ao nosso alojamento RAV o Cabo Miguel e o Cabo Morais da Marinha para que o Rex do Lumiar ficasse a pertencer à equipa de Canídeos dos Fuzileiros da Marinha Portuguesa!”.

“O nosso menino já rumou à capital e faz agora parte da Família da Marinha Portuguesa. Obrigado do fundo do coração. Boa sorte!”, rematou a associação com visível felicidade.

Diamantino Barros, presidente da RAV, contou à PiT como tudo aconteceu: “O almirante interessou-se pela história do Rex do Lumiar e contactou-nos para saber mais informações sobre o cão. Queria saber se teria aptidão para treino, ao que eu respondi que sim, que o Rex é um cão super inteligente e que reage bem a estímulos e treino versus recompensa. Então ele tratou de tudo e enviou dois militares para o virem buscar e juntar à equipa dos fuzileiros da Marinha”.

“Esta manhã [19 de outubro], o cabo Miguel e o cabo Morais deslocaram-se em veículo dos fuzileiros até à sede da RAV, onde conheceram o Rex pessoalmente, e depois seguiram viagem até Lisboa, rumo ao corpo de Fuzileiros, onde fará parte da equipa tática”, acrescentou Diamantino Barros com alegria.

Segundo o presidente da RAV, “a história de Rex ‘é esquisita’, uma vez que não há justificação lógica para que o mesmo fosse encontrado no cimo de uma rocha no meio do mar onde só de barco se tem acesso”. Mas o importante é que tudo acabou da melhor forma.

Recorde-se que o almirante Henrique Gouveia e Melo, que é o Chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA), foi o coordenador da extinta task force de vacinação contra a covid-19 em Portugal, tendo sido um rosto visível e marcante no combate à pandemia no nosso País – chegando mesmo a ser apelidado de “herói das vacinas”.

Percorra a galeria para ver algumas fotos do sortudo Rex, que ninguém sabe como foi parar ao cimo de uma rocha, numa praia com a maré a encher, e que agora integra o núcleo cinotécnico do Corpo de Fuzileiros.

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