Animais

Guiness ainda não decidiu: será que Bobi tinha mesmo 31 anos quando morreu?

O cão português morreu a 21 de outubro e a comunidade voltou a levantar questões sobre a sua verdadeira idade.
Foto: Le Terrier Studio/Amanda Teixeira.

Bobi, o cão eleito pelo Guiness World Records como o mais velho de sempre, voltou a ser estrela nos media nacionais e internacionais. Desta vez, não é para celebrações ou recordações. Após vários veterinários levantarem dúvidas sobre a verdadeira idade do cão que morreu a 21 de outubro, a competição avançou ao jornal “The Guardian” que abriu uma nova investigação.

“Nenhum dos meus colegas veterinários acredita que Bobi tinha realmente 31 anos”, confessou Danny Chambers, veterinário no Colégio Real de Médicos Cirurgiões, no Reino Unido, ao jornal britânico.“Isso é o equivalente a um ser humano viver mais de 200 anos, o que, com as nossas atuais capacidades médicas, é completamente implausível”, acrescentou.

O médico disse ainda que “nenhuma prova foi apresentada” para comprovar a idade de Bobi. Segundo Leonel Costa, o seu tutor natural de Conqueiros, no distrito de Leiria, o cão nunca havia comido ração e alimentava-se exclusivamente de comida igual à dos donos, o que poderia ter influenciado na sua suposta longevidade. “Tudo o que comemos, os animais também comem”, disse à PiT em fevereiro. “Ele bebe muita água, cerca de um litro por dia. E urina várias vezes”.

Chambers partilhou que já chegou a ver cães ultrapassarem a expectativa de vida para a espécie porém, todos eram de raças menores e sem excesso de peso, como Bobi, o que tornaria “ainda mais surpreendente que ele vivesse quase três vezes mais do que a média”. Um porta-voz do Guiness já respondeu, partilhando que a competição “está a par das questões relacionadas à idade de Bobi e está a investiga-las”.

Quando Bobi recebeu os dois recordes (na altura, o cão vivo mais velho do mundo e o mais velho de sempre), o Guiness avançou que o patudo havia sido registado em 1992 no Serviço Medico-Veterinário do Município de Leiria, que confirmou a sua data de nascimento.

Muitos amantes de animais também duvidavam sobre a veracidade da idade do recordista. Um dos principais motivos era uma fotografia de Bobi tirada em 1999. Nesta, o cão tinha as patas brancas, diferentes das suas atuais.

Bobi aos sete anos. Foto enviada à PiT por Leonel em fevereiro.

A PiT entrou em contacto com Leonel mas ainda não teve respostas. Em fevereiro, o tutor contou-nos que Bobi fazia visitas regulares ao médico veterinário e nas últimas três décadas, só esteve doente uma única vez em 2018, quando teve problemas de respiração. No entanto, conseguiu recuperar.

Bobi é o último de uma “longa geração” de animais na família Costa. “Nunca tinha pensado em registá-lo para bater o recorde porque felizmente os nossos animais sempre duraram muitos anos”, confessou. Gira, a mãe do recordista de quatro patas, viveu até os 18 anos. E Chicote, outro cão da família, morreu aos 22.

Bobi esteve perto de não viver para contar história e foi a sua cor que o salvou. Quando ele e os três irmãos nasceram, o cão escapou à morte camuflando-se na lenha. Depois, ficou conhecido como o mais velho de sempre. Ganhou a atenção de todos quando bateu dois recordes do Guinness World Records. Mas para o tutor não foi preciso muito para o conquistar. Bastou abrir os olhos.

Leonel tinha apenas oito anos quando levou o companheiro para casa. Ele e a sua irmã, com 14 anos na altura, sempre estiveram habituados aos cães do seu pai caçador. Mas foi a cadela Gira a responsável por transformar a vida de ambos durante várias décadas.

“Teve uma ninhada de quatro cachorrinhos. Na altura, era muito comum as famílias livrarem-se dos cães bebés, antes de eles abrirem os olhos. Eu e a minha mãe já fomos criticados por isso, mas os tempos eram outros”, disse.

Em junho, Bobi teve uma grande celebração de aniversário com mais de cem pessoas vindas de todo o mundo, em especial a célebre veterinária Karen Becker, que confessou que o patudo seria um dos protagonistas do seu próximo livro. A festa contou com rancho, bolo e sardinha assada e embora já não estivesse nos seus melhores dias, Bobi aproveitou como um rei.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do cão ao longo dos anos.

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