Animais

Há um gato-fantasma a assombrar o Capitólio? Nos Estados Unidos acreditam que sim

Desde a queda da bolsa em 1929 ao assassínio do presidente John F. Kennedy em 1963, o mito do gato aparece sempre associado.
Mito urbano ou história real?

Mitos urbanos, lendas macabras ou histórias bizarras à volta do Capitólio — o Congresso dos Estados Unidos da América —, em Washington, não faltam. Mas há uma em particular que desperta especial interesse: a de que paira um espírito maléfico de um gato pelos corredores do edifício, e que se manifesta como prenúncio de eventos politicamente fraturantes.

Os primeiros rumores remontam a finais do século XIX, nos anos 1890. Desde aí foram reportadas alegadas aparições de um ou vários gatos nas vésperas de acontecimentos históricos nos EUA. Desde a queda da bolsa em 1929 ao assassínio do presidente John F. Kennedy em 1963, parece ter havido sempre uma coincidente (ou não) presença felina como sinal de tragédia iminente.

A mistificação dos gatos é bem mais antiga que a lenda do gato do Capitólio. Veja-se a fama dos gatos pretos que perdura até hoje. E esse é, por isso, um fator de primeira ordem a pesar na construção do mito. E rapidamente se atribuiu a “D. C.” — tido por “District of Columbia” em relação a Washington — o significado implícito “Demon Cat” (ou gato demoníaco, traduzido à letra).

Como tudo começou

Em 1898, o jornalista Rene Bache, de Washington, D. C., foi o primeiro a escrever sobre as supostas aparições sinistras da figura felina no Capitólio. Rezava a lenda que o gato tinha crescido até ter o tamanho de um elefante e que o seu fantasma assombrava o edifício desde 1862.

A verdade é que, à época, a presença de gatos no Capitólio era frequente; eram usados para caçar os ratos que entravam no edifício. Essa pode ser uma possível explicação para a aparição dos felinos — pela sua alta probabilidade de verificação — estar associada a eventos marcantes, uma vez que são esses que ficam na memória.

Há, porém, mais teorias propostas sobre o mito do gato demoníaco. Segundo Samuel Holliday, diretor da Capitol Historical Society, no início do século XX os guardas do Capitólio estavam, também, encarregues de capturar animais soltos nas redondezas do edifício, e houve a certa altura um guarda que, embriagado, deu de caras com um gato e deu asas à imaginação a partir daí.

Como bola de neve que um rumor é, a história foi passando de boca em boca, e os mais insólitos acontecimentos foram surgindo ao longo dos anos: em 1935, um polícia revelou ao “Washington Post” ter disparado sobre um gato preto gigante, por exemplo. E há pegadas de gato cravadas no chão de uma parte do edifício, a caminho do ‘Old Supreme Court Chamber’, que alimentam essas teorias.

Certo é que nos últimos anos não tem havido mais indícios do gato demoníaco pelos cantos e recantos do Capitólio. Aliás, pelo contrário, são os ratos que têm voltado em força: só em 2022, o “Washington Post” deu conta de mais de 13 mil ocorrências destas. Talvez esteja na altura do “Demon Cat” voltar a aparecer…

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