Animais

IRA ajuda a resgatar pessoas e animais em noite de inundações em Loures

O grupo de resgate retirou três cães e um gato de casas completamente alagadas. Uma noite difícil.
Resgate de cão e gato.

O dia 7 de dezembro trouxe chuva forte a todo o país e o distrito de Lisboa foi um dos mais afetados. Perante o que se passava, o grupo IRA – Intervenção e Resgate Animal fez uma publicação no Facebook, apelando a que os seus seguidores sinalizassem situações de maior risco. Rapidamente foi identificada uma zona: Flamenga, em Loures. Foi para lá que vários elementos se dirigiram à noite, mas o cenário era pior do que se esperava.

Nada puderam fazer no imediato. Num vídeo publicado perto da uma da manhã, o IRA mostrava a força da água e a impossibilidade de prosseguirem caminho para chegarem à zona indicada como tendo cães em risco. Mas os elementos do grupo não arredaram pé e por lá ficaram até conseguirem agir. E conseguiram.

Numa publicação feita ao início da tarde desta quinta-feira, 8 de dezembro, a organização conta como sucederam os resgates. “Emergência com pessoas e animais em risco de vida, devido a uma forte precipitação e transbordo do rio no município de Loures. Denunciantes informam que existem vários animais em risco na Flamenga, com pessoas nos telhados das habitações. Uma equipa deslocou-se imediatamente ao local, mas, devido ao nível das águas e força da água que havia transbordado e inutilizado as estradas, o local era inacessível tanto para nós como para os bombeiros e proteção civil”, começa por recapitular o IRA.

O nível das águas “era superior a dois metros nalgumas estradas, tendo inclusive inutilizado um camião dos bombeiros que tentou forçar a passagem para prestar socorro”, acrescenta a organização de deteção, planeamento, resgate, reabilitação, adoção e intervenção em cenários de emergência.

Loures debaixo de água

Após algum tempo, que pareceu uma eternidade, foi possível ajudar. “Em conjunto com os BV Loures, criou-se um dispositivo de segurança para se aceder aos cidadãos e animais, tendo os bombeiros procedido à evacuação de pessoas e, conjuntamente com elementos do IRA, evacuado quatro animais de habitações submersas, sendo três canídeos e um felino”, conta o grupo.

Loures
IRA em Loures.

“Os animais foram todos restituídos aos seus detentores, com a excepção de dois, que foram transportados para o CROAL [Centro de Recolha Oficial de Animais e Loures] temporariamente, uma vez que os detentores não tinham condições de habitabilidade”, explicam.

Dada a especial situação emergente, refere ainda o IRA, “foi acionada a ambulância de socorro animal para efetuar assistência e o transporte de animais para hospitais veterinários, se necessário”.

Animais de pecuária morreram

Outros animais não tiveram a mesma sorte. “As ações de resgate foram coordenadas com o Comando dos BV de Loures, Comando dos BV Camarate e Proteção Civil municipal, tendo-se também registado diversos animais de pecuária – suínos, ovinos e algumas espécies de aves – mortas por afogamento, em instalações improvisadas junto às margens do rio”, lamenta o grupo.

O IRA termina “agradecendo a todas as corporações de bombeiros envolvidas nas operações de socorro, assim como no apoio prestado aos elementos do IRA”. “Estamos presentes”, rematam.

Valor para o Sentinela II já foi angariado

E é essa presença, sempre que necessário, que tem sido retribuída com apoio monetário sempre que o grupo necessita. Em pouco mais de uma semana, o IRA conseguiu angariar os 10.000 euros necessários para um novo veículo especial.

Quando, no fim de semana de 5 e 6 de novembro, o IRA inaugurou oficialmente a sua sede distrital no Porto, entregou o seu veículo Sentinela –  um Nissan Navara que funciona como Unidade Especial de Resgate. E ficou, por isso, a precisar de um novo veículo com estas características em Lisboa.

O Sentinela é diferente, em vários sentidos, das restantes viaturas da organização – logo a começar pelas valências dos elementos que o tripulam o Sentinela, seja na capacidade médico-veterinária, seja no know-how, seja nas competências para resgates imprevistos. “Mas a principal característica que identifica o nosso Sentinela como Unidade Especial de Resgate é a logística que transporta consigo”, explicou o grupo.

Uma vez que o IRA precisava de um Sentinela em Lisboa, criou no dia 28 de novembro uma angariação de fundos, com objetivo nos 10 mil euros, para a compra do Sentinela II. “Em 2019 o país juntou-se e comprou-nos o Sentinela, revelando-se vital ao longo destes anos para os inúmeros resgates e intervenções pelo país fora. Centenas e centenas de vidas podem agradecer às equipas que nele se deslocaram, que nele foram arrastadas ou puxadas em atrelados, que nele foram evacuadas ou relocalizadas devido à sua robustez, capacidade e fiabilidade. Era disto que o Norte precisava e foi para lá que o enviámos”, dizia o post relativo à angariação.

Quase quatro anos depois, “precisamos agora do Sentinela II. E novamente, precisamos de vocês para o conseguir, e conseguirmos continuar o nosso trabalho, aumentando a nossa capacidade”. “Quem não conseguir ajudar por aqui, pode utilizar as outras opções disponíveis no nosso site, como donativos porMBway ou transferência bancária”, apontava o grupo, indicando também a sua conta de Paypal.

E o valor rapidamente foi angariado. Num post publicado na manhã de 7 de dezembro, o IRA anunciou que, depois de cruzado o o valor angariado no Instagram, Paypal e MBway, o objetivo estava atingido.

“Senhoras Iradas e senhores Irados, é com muito agrado que vos transmitimos a conclusão da angariação de fundos para a nova viatura de resgate com sucesso. O valor total foi atingido entre Instagram, Facebook e restantes meios para transferência de donativos. Queremos agradecer, uma vez mais, o apoio incondicional de todos, a celeridade com que se prontificam a ajudar não só o IRA, como os animais, sendo um claro reflexo da confiança que depositam em nós. Vamos lá meter mãos à obra”, anunciaram.

Percorra a galeria para ver imagens da noite de inundações em Loures, partilhadas pelo IRA.

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