Entre as centenas de casos que passaram pelas mãos da equipa da SOS Bigodes, o de Ariel mantém-se um dos mais chocantes. A gata foi posta num forno ligado e fechada numa garagem durante uma semana sem cuidados, com 50 por cento do corpo queimado. Esta sexta-feira, 23 de janeiro, acontece a primeira audiência de um julgamento para apurar a culpabilidade da então tutora, motivado pela vontade de justiça da organização.
O caso remota a 2022 mas, garante à PiT Cristiana Dias, presidente da associação sediada em Barcelos, “nunca caiu em esquecimento”. Esta sexta-feira, às 14 horas no Tribunal de Barcelos, inicia-se o processo para apurar a culpa da ex-dona, que disse ter sido a filha de três anos a pôr a felina no forno.
Ao longo destes três anos, a responsável conta ter recebido notificações do Tribunal para que aceitassem um acordo de 1000 euros, evitando o julgamento, que foi prontamente recusado. “Precisamos de dinheiro, sim, mas ela deixou a gata na garagem à espera que morresse”, declara a fundadora. “Mil euros não pagam o que a Ariel sofreu”, acrescenta.
Além da tentativa de acordo, Cristiana avança que a acusada chegou ainda a ameaçar o grupo pela exposição do sucedido. “Não expusemos nada. Fiz uma publicação nas redes sociais para pedir donativos para pagar os custos dos tratamentos”, afirma.
“Não acredito que tenha sido a criança”
Ariel foi resgatada em setembro de 2022 ainda bebé, e adotada pela então dona, e pelo seu marido, com quem tem uma filha, então com três anos.
Dois meses depois, “a senhora ligou para uma clínica em Barcelos para perguntar como podia abater a gata”, descreveu então a presidente da SOS Bigodes, à PiT. “Quando a veterinária perguntou o motivo, a tutora disse que a filha de três anos a tinha colocado no forno há uma semana”.
A dona de Ariel argumentou que não tinha meios financeiros para suportar os custos veterinários, por isso, a melhor solução seria abater a felina. Uma decisão que a clínica para onde ligou recusou.
“Perguntaram se ela já tinha contactado alguma associação para a ajudar com as despesas. Ela disse que não mas que a Ariel tinha sido adotada de uma”. Foi aí que chegaram à SOS Bigodes, que ficou perplexa ao saber do sucedido.
Ariel teve alta no dia 14 de janeiro de 2023, após dois meses de internamento a curar o corpo 50 por cento queimado. Cristiana Dias estava lá. Não para dizer não um adeus, mas um até já, sabendo que ela ia para um lugar melhor: “Ela já se está a adaptar muito bem. Parece que sempre esteve lá. Só quer mimo”, conta à PiT.
A felina tem agora quatro anos, e tornou-se a estrela de uma conta de Instagram. Apesar de se ter adaptado à casa onde agora vive, a sua existência requer cuidados extra: a patuda precisa de usar roupa todos os dias, tem uma pele extremamente sensível, falhas no pelo e medo do toque.
O trauma mantém-se também com os humanos que a rodeiam, em grande parte, diz Cristiana, por não acreditarem ter sido a filha do casal quem pôs Ariel dentro do forno. “Não acredito de todo. Também por isso querermos ir a julgamento. De qualquer forma, o mais grave foi ter deixado a gata na garagem sem cuidados uma semana”, diz. “Mesmo que tenha sido a filha, tem culpa por não ter tido atenção à criança”.
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