Animais

Juma — a cadela aterrorizada que esconde o focinho para ficar invisível

Foi recolhida pela Associação para a Protecção de Animais de Torres Vedras e a imagem é desoladora.
Se me esconder, desapareço?

“Esta é, para nós, a imagem do mês, do ano de 2022. Nunca pensámos que o abandono fosse seguir em crescendo tão intenso, quando há tanta informação, tanta sensibilização em todos os meios de comunicação por este País fora”. É assim que a Associação para a Protecção de Animais de Torres Vedras (APA Torres Vedras) inicia o seu “desabafo em jeito de balanço”, numa publicação feita a 3 de dezembro no Facebook.

Na foto, uma cadelinha esconde o focinho na parede, como que a tentar desaparecer. Para que ninguém a veja e, assim, não lhe faça mal. Como que a tentar ficar invisível. É uma imagem desoladora.

“Estamos exaustos, sem mais espaço e muito desanimados com o futuro próximo. Enquanto embelezamos as nossas casas com luzinhas aconchegantes e enquanto gritamos com patriotismo pelos golos da nossa seleção, lembremo-nos que também somos isto: gente que maltrata e que faz com que os seres mais inocentes e amigos do homem nos virem as costas de medo, de vontade de não existir!”, escreve a associação.

Juma vai passar por longo processo para voltar a confiar

A cadelinha, que recebeu o nome de Juma, tem sido muito acarinhada e tem estado a receber muitos mimos ao colo de voluntários da associação, num ”longo processo de voltar a confiar em nós… seres (des)humanos”, sublinha a APA Torres Vedras, fundada em 1982.

À PiT, Ângela Assis, presidente da associação, conta que “a Juma foi encontrada com outro irmão, numa fazenda isolada, no concelho de Torres Vedras” e que tem seis meses.

Abandonos sempre houve, e nos últimos anos essa tendência tem vindo a crescer, mas nos últimos tempos é ainda mais visível. “Estamos a notar, nos últimos meses, um enorme aumento de abandonos e também de pedidos de ajuda — via email e por outros meios”, aponta Ângela Assis.

Esses abandonos, muitas vezes com maus tratos associados, deixam marcas enormes nos animais. Não só físicas, mas também psicológicas. No post sobre a Juma, que conta com centenas de partilhas e muitos comentários, houve quem escrevesse que esteve junto da cadelinha na APA Torres Vedras e que testemunhou como ela tremia ao colo de um voluntário.

Agora, é tempo de perder o medo, sarar feridas e voltar a confiar. Para que a Juma e o seu irmão, e tantos outros com o mesmo destino, possam ainda ser felizes em lares de amor, como tanto merecem.

Percorra a galeria para conhecer alguns dos outros animais que estão na APA Torres Vedras à espera de famílias especiais. E se puder, ajude a associação. Pode fazê-lo através de uma plataforma de apoio para micro donativos.

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