Júnior não se deixou vencer pelos maus-tratos ou pela incapacidade motora e, graças à equipa que o resgatou em fevereiro, na Madeira, o cão deu esta quinta-feira, 7 de maio, início à sua nova vida. Com 11 anos de idade, chegou à capital para ser adotado por uma família.
A notícia chegou como o cumprimento de uma promessa. “Nós prometemos ao Júnior que lhe mudaríamos a vida e nós nunca falhamos as nossas promessas”, começa por escrever Mariana Nóbrega, líder da organização Ajuda a Alimentar Cães de Rua, nas redes sociais.
A partilha inclui uma montagem de vários momentos entre os voluntários e o patudo, onde a fundadora inclui um agradecimento aos seguidores, que acompanharam a história e asseguraram donativos para os tratamentos de Júnior.
No momento da publicação, o Labrador estaria dentro de um avião, “rumo a Lisboa”. No aeroporto, à sua espera, estavam a nova família e dois voluntários da associação, para garantirem uma chegada o mais tranquila possível.
A despedida deixou o grupo “com o coração apertado”, mas com a satisfação de uma missão cumprida, agora que o cão receberá “o amor, a segurança e a dignidade que sempre mereceu”.
Mariana recordou o sofrimento provocado a Júnior, adiantando que “tentaram tirar-lhe tudo”, mas garantindo que em nada comprometeram a sua vontade de viver, que “conquistou milhares de pessoas”. Com a reflexão, deixa uma nova promessa: a de que será feita justiça.
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“Muito sangue, o animal a ganir com sofrimento intenso”
O caso do cão chegou ao conhecimento do público através de imagens com um aviso por poderem chocar, e um pedido aos mais sensíveis para que não as vissem. Ainda assim, foi incluído o reconhecimento da necessidade de as testemunhar para compreender a gravidade da situação, que decorreu no Caniçal.
O Labrador sénior paraplégico “foi violentamente espancado com um pé de cabra” depois de ter ladrado.
Mariana Nóbrega explicou à PiT ter chegado ao caso depois de uma denúncia nas das redes sociais. Antes mesmo de responder, percebeu que a PSP “já se encontrava no local”. Antes da chegada das autoridades, “o agressor tentou apagar os vestígios do crime. Foi buscar uma mangueira e tentou lavar o sangue”.
A par da Polícia de Segurança Pública e da Ajuda a Alimentar Cães, esteve no local o Abrigo Municipal de Manchico, possibilitando a estabilização e o resgate de Júnior. Depois de dois dias internado, ficou ao cuidado da associação. “E não estamos dispostos a deixá-lo ir”, pode ler-se nas redes sociais.
Mariana adianta que o perpetrador do crime não mostrou resistência perante as autoridades. Estava “alcoolizado, mas calmo e consciente do que tinha feito”, afirma, acrescentando ter admitido as agressões, que eram também do conhecimento da família.
A ativista dos direitos dos animais descreveu o cenário “gravíssimo” com que se deparou no local: “muito sangue, o animal a ganir com sofrimento intenso e vários cortes profundos na cabeça”.
A organização reiterou ainda que “agredir um animal é crime, punível com pena de prisão”, e garante que procurará resolver a situação com a Justiça. “Não vamos desistir. Desta vez, vamos dar luta”. A equipa apresentou queixa-crime com o apoio de uma advogada familiarizada com a causa animal, que aceitou lidar com o caso pro bono, deslocando-se do Continente à ilha da Madeira. “Pela primeira vez temos expectativas reais e elevadas de que será feita justiça”, disse Mariana, mencionado as “testemunhas, provas materiais e factos claros” deste caso.
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