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Júnior não voltará a andar, mas não desiste da vida. Está pronto para uma família

Foi confirmado que a condição do cão agredido pelo dono com um pé de cabra não poderá ser revertida.

Depois de várias semanas de espera, foi confirmada a suspeita dos cuidadores de Júnior: o cão de 11 anos, agredido pelo dono com um pé de cabra, não voltará a andar. Apesar da notícia, a associação que o resgatou sublinha a energia que o patudo demonstra, e afirma estar focada em encontrar-lhe a família certa.

A atualização foi feita pela Ajuda a Alimentar Cães de Rua esta quarta-feira, 11 de março, nas redes sociais. A equipa avançou ter levado o cão a um centro de reabilitação para que fosse analisado o TAC que realizou em janeiro, depois do resgate. 

O desfecho era já esperado pelo grupo. “Ele não tem qualquer sensibilidade nas patas traseiras e também não sente uma pequena zona da coluna. Os movimentos que faz são apenas reflexos. A lesão é definitiva”, pode ler-se.

Apesar da confirmação, a associação da Madeira explica que Júnior tem uma “enorme vontade de viver”, adiantando a adaptação à cadeira de rodas e a força que cresce nas patas da frente.

Depois de longas semanas de recuperação, o cão está finalmente pronto para ser adotado por “uma família que compreenda que ele não vai voltar a andar, mas que perceba também que isso não o impede de ser feliz”.

A organização diz que oferecerá duas cadeiras ao cão: a que usa de momento e outra, que está por chegar, “mais adaptada a ele”. Além disso, será também emprestado o carrinho que os voluntários têm utilizado para os passeios no jardim. 

“Muito sangue, o animal a ganir com sofrimento intenso”

As imagens, divulgadas nas redes sociais da equipa, chegam aos seguidores com um aviso por poderem chocar, e um pedido aos mais sensíveis para que não as vejam. Ainda assim, é incluído o reconhecimento da necessidade de as testemunhar para compreender a gravidade da situação, que decorreu no Caniçal.

O Labrador sénior paraplégico “foi violentamente espancado com um pé de cabra” depois de ter ladrado. 

Mariana Nóbrega explicou à PiT ter chegado ao caso depois de uma denúncia nas das redes sociais. Antes mesmo de responder, percebeu que a PSP “já se encontrava no local”. Antes da chegada das autoridades, “o agressor tentou apagar os vestígios do crime. Foi buscar uma mangueira e tentou lavar o sangue”.

A par da Polícia de Segurança Pública e da Ajuda a Alimentar Cães, esteve no local o Abrigo Municipal de Manchico, possibilitando a estabilização e o resgate de Júnior. Depois de dois dias internado, está agora ao cuidado da associação. “E não estamos dispostos a deixá-lo ir”, pode ler-se nas redes sociais

Mariana adianta que o perpetrador do crime não mostrou resistência perante as autoridades. Estava “alcoolizado, mas calmo e consciente do que tinha feito”, afirma, acrescentando ter admitido as agressões, que eram também do conhecimento da família.

A ativista dos direitos dos animais descreve o cenário “gravíssimo” com que se deparou no local: “muito sangue, o animal a ganir com sofrimento intenso e vários cortes profundos na cabeça”.

A organização reiterou ainda que “agredir um animal é crime, punível com pena de prisão”, e garante que procurará resolver a situação com a Justiça. “Não vamos desistir. Desta vez, vamos dar luta”. Assim, a equipa apresentou queixa-crime com o apoio de uma advogada familiarizada com a causa animal, que aceitou lidar com o caso pro bono, deslocando-se do Continente à ilha da Madeira. “Pela primeira vez temos expectativas reais e elevadas de que será feita justiça”, diz Mariana, mencionado as “testemunhas, provas materiais e factos claros” deste caso.

Carregue na galeria para ver conhecer Júnior.

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