KitKat foi morto por um carro autónomo. O caso está a gerar indignação contra Inteligência Artificial

O felino vivia na loja dos tutores e era conhecido pelos residentes e lojistas.

KitKat era conhecido entre os residentes de Mission District, um bairro da cidade de São Francisco, na Califórnia, por dormir as sestas diárias atrás do balcão da loja de conveniência do tutor, e por cumprimentar os diferentes lojistas da rua. O patudo, que recebia os clientes com festas e marradinhas, foi morto a 27 de outubro por um carro autónomo, e o acidente está a gerar indignação entre os moradores, contribuindo para a discussão sobre a eficácia da inteligência artificial.

O felino vivia na loja Randa´s Market, e além de da reputação pessoal, era ainda conhecido nas redes sociais. Daniel Zeidan, membro da família que gere o mini-mercado, sublinhou a adoração nutrida pelo gato entre os cidadãos. “Ele andava por aqui, olhava para os trabalhadores e esperava que lhe atirassem frango… era ele que geria o bairro”, cita o The Guardian.

No final de outubro, KitKat foi atropelado por um Waymo, um veículo autónomo (isto é, que se conduz sozinho), e que pertence a uma frota cada vez maior entre as ruas da cidade norte-americana. A empresa de taxis que se conduzem sozinhos assumiu o acidente, esclarecendo que o carro parou para recolher passageiros, e o gato “que estava por perto correu para debaixo do veículo enquanto este recuava”. “Deixamos os nossos sentimentos ao dono do gato e à comunidade que o conhecia e amava, e fizemos um donativo a uma associação local pelos direitos dos animais em sua honra”, acrescentou a organização.

No mini-mercado foi erguido um pequeno altar em honra de KitKat, com fotografias, flores e mensagens de carinho. Nas redes sociais, amigos e conhecidos têm-se pronunciado sobre o caso, lamentando o ocorrido e posicionando-se contra as máquinas controladas por Inteligência Artificial.

O ocorrido está ainda a servir para apoiar o posicionamento de legisladores locais que defendem limites mais restritivos sobre o crescimento desta indústria na cidade. Jackie Fielder, uma das supervisoras da região, adiantou pretender introduzir novas medidas que permitam decidir contra ou a favor dos carros autónomos.

Justin Doleza, dono de um bar local e de uma pequena coligação comercial, pronunciou-se em relação a KitKat e a favor da resolução de Jackie Fielder. “Este espaço foi tomado por tecnologia pela qual ninguém pediu, e para a qual ninguém consentiu“, adiantou. 

A Waymo foi contactada pelo The Guardian, mas recusou-se a comentar a possível legislação, avançando apenas que as suas principais prioridades são “a confiança e a segurança” das comunidades que serve.

Daniel Zeidan criou uma criptomoeda com a cara de KitKat, e planeia utilizar o dinheiro das transações para ajudar abrigos e organizações de animais na zona. “Queremos honrar o gato”, disse, acrescentando ter sido inspirado pela equipa veterinária que socorreu o felino, e que assumiu os custos dos tratamentos.

Carregue na galeria para relembrar KitKat.

ARTIGOS RECOMENDADOS