A história de Leo tem sido marcada pela necessidade de resiliência. Depois de ter sido resgatado de um camião do lixo, tornando-se no único sobrevivente da ninhada em que nasceu, a saúde do felino ficou debilitada inesperadamente, e o santuário onde vive precisa de ajuda para assegurar os seus cuidados.
Os tutores do gato de cerca de oito meses explicam ter notado algumas mudanças no seu comportamento, já que aparentava “estar desconfortável”, mas continuava “a comer, a beber e a brincar”, escrevem nas redes sociais. O alarme chegou quando, no passado domingo, 28 de dezembro, Leo desenvolveu uma “neblina” nos olhos.
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Alice Basílico, responsável pelo santuário Save and Care, em Palmela, e tutora do patudo, conta que a primeira ida ao veterinário revelou um diagnóstico de uveíte (uma inflamação na úvea, uma das camadas do globo ocular, que pode causar dor, vermelhidão, sensibilidade à luz, entre outros sintomas). A confirmação da causa chegou no último dia de 2025, com um teste positivo para PIF, ou peritonite infeciosa felina — uma doença infeciosa grave, que pode provocar desde problemas respiratórios à morte, e que surge da infeção do animal pelo coronavírus felino, explica a AniCura.
A dona adianta que o tratamento desta doença “não é regulado em Portugal”. “O que as associações e muitas das pessoas que têm gatos com PIF fazem é entrar em contacto com pessoas que já fizeram o tratamento e adquirir a medicação. Existem muitos grupos de ajuda nesse sentido”, explica.
Tratamento, este, que implica um protocolo rigoroso, com dois tipos de gotas, umas de quatro em quatro horas e outras de 12 em 12, além de outro medicamento também de 12 em 12 horas. À preocupação dos tutores junta-se o medo de Leo, que passou a fugir quando tentam agarrá-lo por medo do processo. “Ele detesta os pingos, o que torna tudo mais stressante. Mas continuamos a dizer-lhe que é para o seu bem e esperamos que, com o passar dos dias, ele melhore e perceba que só o queremos ajudar”, adiantam os donos.
Leo, que foi adotado por Valentina, uma cadela igualmente resgatada pelo espaço, está a responder ao tratamento. “Os olhos dele começaram logo a mudar. Já conseguimos ver a cor”, diz Alice.
Um momento difícil para o santuário
Dinis, outro residente do Save and Care, também ficou doente. O porco “deixou subitamente de conseguir andar” na véspera de Natal. No mesmo dia, os responsáveis improvisaram uma vedação e um abrigo para que ficasse mais resguardado e, no dia 26, recorreram à clínica Vetex, em Lisboa, onde os exames não foram conclusivos,
A falta de lesões ósseas identificadas levam os cuidadores a crer que este possa tratar-se de um problema neurológico. Alice espera que a TAC, concretizada esta sexta-feira, 2 de janeiro, garanta aos profissionais algumas respostas e soluções.
Este final de ano foi particularmente difícil para o santuário. “Estamos a precisar de muita ajuda mesmo a nível de fundos, porque tudo é caríssimo“, lamenta a responsável. “O tratamento do Leo é caríssimo. Só a TAC foram 335 euros. Estamos com os fundos muito em baixo para tudo”.
Apesar do momento difícil, os fundadores da associação deixam uma mensagem de agradecimento: “obrigada por estarem desse lado, pelo Dinis, pelo Léo e por toda a nossa família. As vidas deles importam e, juntos, podemos ajudá-los a recuperar. A vossa ajuda é tudo”.








