Os pedidos para resgatar cães acorrentados que vivem em quintais esquecidos não são novidade, confessa Duarte Fernandes, que lida com eles há oito anos. Quando um novo e-mail chegou ao líder da equipa da 2 Rodas Solidárias sobre Luna, uma cadela “presa a uma árvore, ao sol, que espumava da boca e que não saía dali”, o primeiro passo foi verificar a situação. E o contexto não foi o esperado.
O fundador da associação 2 Rodas Solidárias conta que parte do testemunho estava correto — Luna, a patuda preta arraçada de Pit Bull e Cane Croso estava presa com uma corrente de três metros, mas “tinha água limpa e comida e a sombra da casa e da árvore. Não haviam sinais de maus tratos”.
A visita do grupo à casa na Trafaria possibilitou uma conversa com a tutora da patuda, que explicou ter encontrado Luna na rua, à frente da casa do avô, onde decidiu mantê-la. “Levou-a ao veterinário e pediu ajuda a várias entidades porque não tinha as condições ideais para ficar com a cadela, mas não conseguiu respostas”, afirma o ex-motard de 45 anos.
O avô da dona temporária da patuda é paraplégico, explica o fundador da equipa. Além disso, “o muro da casa é muito baixo”, pelo que, enquanto a tutora estava fora a trabalhar, Luna ficava acorrentada “para não fugir e por segurança do avô”. Durante a noite, a cadela passava o tempo dentro de casa com a família.
Os contornos do passado da patuda de quatro anos não são conhecidos, mas Duarte Fernandes avança a hipótese de que tenha sido utilizada para criação, já que “tem os mamilos muito descaídos”. “Devia estar nalgum lugar de onde conseguiu fugir”, presume, já que “ela mostrou algum medo”.
Apesar do receio de Luna, os voluntários passearam-na e perceberam a sua vontade de contacto humano. O passo seguinte foi ajudar a família, que “não tinha como ficar com ela e não tinha uma solução”. Entre as associações mais perto estava o Canil da Aroeira, que aceitou recebê-la.
Luna está no abrigo da margem sul desde sábado, 4 de outubro. Cristina Nunes, responsável pela associação, diz à PiT que a patuda “já destruiu uma box” por não querer ficar fechada, mas foi perdoada graças ao quanto gosta de pessoas. “É meiga e dócil”, garante a funcionária, acrescentando que, “com outros cães, se não a chatearem é tranquila”, mas se a desafiarem “não levam desaforo para casa”.
A patuda está para adoção. Carregue na galeria para a conhecer.









