Animais

Maggie foi alvejada 17 vezes. Mas resistiu e hoje ajuda animais e pessoas carentes

Era usada como alvo para prática de tiro quando estava grávida. A cadela adora pessoas e a sua história tem emocionado o mundo.
Ajuda outros animais a encontrarem um lar.

Maggie vivia no Líbano quando foi encontrada presa numa caixa com a orelha cortada e o maxilar partido. Quando foi resgatada pelo abrigo Mashala, não demorou muito até os voluntários descobrirem que a cadela estava a ser usada como alvo para prática de tiro com pistolas de ar. Tudo isto enquanto também estava grávida. Após o resgate, o fundador da associação rapidamente recorreu às redes sociais para fazer um apelo. Mas foi tudo menos fácil.

Apesar de os dias de tortura terem acabado, Maggie ainda tinha um longo caminho pela frente. A cadela sénior era cega e trazia consigo vários traumas, o que dificultou o processo de adoção. Mas o destino falou mais alto, e colocou uma nova salvadora na sua vida: uma senhora que vivia em Londres. Após ler online a história de Maggie, contactou a Wild At Heart Foundation, uma associação de resgate animal no Reino Unido, que logo se prontificou a ajudar. Em seis dias, a patuda estaria em solo inglês.

O problema, porém, repetiu-se: Maggie não recebeu qualquer candidatura para adoção. Quando tudo parecia estar a correr mal, Kasey Carlin, de 28 anos, conheceu a sua história. A jovem já trabalhava como FAT — família de acolhimento temporário — de diversos outros animais da associação, e acolher Maggie não seria problema.

“Fui ao aeroporto buscar uma cadela idosa, abusada e cega e quando lá cheguei, este ser feliz e a abanar o rabo apareceu e estava tão animado”, recordou a tutora num vídeo partilhado no seu canal do Youtube. “Fiquei surpresa porque voar já é difícil para todos nós, mas se você fosse um cão cego, que perdeu a esperança nas pessoas, como lidaria com isso?”, questiona-se.

Kasey não sabia muito sobre o passado de Maggie, mas conta que quando a cadela foi resgatada, ainda no Líbano, teve quatro balas removidas da cabeça. Quando chegou a Londres, foram descobertas mais 13 espalhadas pelo seu corpo. Para a jovem, a ideia inicial era acolher a patuda até encontrar um lar definitivo. No entanto, adotou-a oficialmente um mês depois. Hoje, após três anos, continuam inseparáveis. E não foi só a tutora que salvou a vida da cadela.

“Ela mudou a minha vida em mais maneiras do que posso contar”, diz emocionada. “Antes da Maggie chegar eu não tinha muitos amigos, não tinha ninguém. Hoje em dia, ela tem um Instagram e conhecemos pessoas de todo o mundo, vamos a eventos de caridade e com tudo isso, tenho conhecido milhares de pessoas incríveis”. Nas redes sociais, a cadela é conhecida como “Maggie, a Cadela Maravilha” e conta com mais de meio milhão de seguidores.

Maggie é oficialmente um cão de terapia

Desde o seu primeiro dia com Kasey Carlin, uma das características de Maggie que mais chamou a atenção da tutora foi o seu comportamento com as pessoas ao seu redor. “Ela passou pelas piores coisas na vida mas mesmo assim, perdoou as pessoas e importa-se profundamente com todas as que conhece”, conta a jovem.

Todos os dias, Kasey recebe mensagens a agradecerem à jovem por partilhar a vida da cadela no Instagram. “Muitas pessoas entram em contacto para dizerem que a cadela maravilha mudou as suas vidas. Dizem que, ao vê-la feliz, ganham esperanças para encontrarem a própria paz”, partilha. “Há pessoas que foram abusadas, que estão presas em relações abusivas, que sofrem de problemas alimentares ou depressão”, acrescenta.

Nas redes sociais, a dupla alcança um público muito mais amplo mas na vida real, e também tem salvado vidas. Hoje, após cerca de um ano de treinos, Maggie é oficialmente um cão de terapia. Todos os dias visita lares de idosos e até tem melhores amigas humanas, que sempre recebem a cadela com um sorriso no rosto. Por vezes, também visita hospitais e leva conforto aos doentes.

“Ela fica cansada mais rapidamente porque é cega, então acaba por trabalhar duas vezes mais do que um cão normal”, explica a tutora. Mas mesmo assim, adora o que faz. E para além de dar-se bem com humanos, a patuda é fã de outros animais. Atualmente tem dois irmãos de quatro patas, sendo que um deles também foi alvejado e resgatado por Kasey. Já a outra, da raça Alaskan Klee, serve como “cadela guia” de Maggie e as duas adoram-se.

Por outro lado, a tutora também recebe várias mensagens de pessoas a criticá-la. O motivo? Dizem que Maggie deveria ter sido abatida para “não sofrer mais”. Mas Kasey não se importa e só tem uma coisa a dizer:  “Essas pessoas nunca a conheceram. Se a conhecessem, entenderiam”.

Percorra a galeria para conhecer a vida de Maggie, a Cadela Maravilha.

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