Quando a equipa da Ajuda a Alimentar Cães de Rua chegou a Max, o cão rosnou. Os olhos arregalados, o corpo tenso e o som gutural foram avisos motivados pelo medo e pela dor que o patudo sentia, mas que rapidamente perderam força perante os avanços carinhosos da líder da associação. O cão estava acorrentado, demasiado magro, com o pelo estragado e com uma ferida aberta na pata traseira, onde dezenas de moscas pousavam. Está agora com a organização da Madeira, com a qual continua a recuperar.
A associação liderada por Mariana Nóbrega chegou ao cão no passado sábado, 8 de novembro, depois de ter recebido uma denúncia com fotografias onde “já era possível perceber que ele tinha um grave problema na pata”, admite a responsável em declarações à PiT.
Durante o primeiro contacto com o patudo, foi evidente que este “estava assustado”, chegando a rosnar. Além disso, sentia “muitas dores na pata e dificuldade para andar”. O que inicialmente fora tido como uma ferida revelou-se num problema mais sério — Max vivia com um tumor que havia criado uma lesão exterior.
O cão de cinco anos, que vivia acorrentado em Santa Cruz, está “num estado muito debilitado, muito fraco, cheio de rastas, a cheirar muito mal, com um grave problema de pele”, descreve a organização. Além disso, o patudo pesa 44 quilos, o que é insuficiente tendo em conta o seu porte grande.
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Além do grupo de resgate animal madeirense, também a PSP esteve presente e, afirma a associação, “realizou um excelente trabalho” ao identificar o tutor. Este é “uma pessoa sem escolaridade, sem meios financeiros e atualmente sem emprego”. “Sabemos bem como funcionam as leis em Portugal e, por esse motivo, todas as despesas acabarão, mais uma vez, por recair sobre nós”, expressa a organização na sua página de Instagram.
O tumor na pata de Max significa irremediavelmente uma amputação, que será particularmente difícil tendo em conta o porte do animal. “Esta situação poderia ter sido evitada se ele tivesse sido operado logo no início, quando o problema apareceu”, lamenta Mariana. Agora, resta apenas que a avaliação dos veterinários dite se será amputada “apenas a zona afetada ou a pata completa”, o que só pode acontecer durante a cirurgia.
O cão que recebeu a equipa com receio revelou-se “extremamente meigo e dócil”. “Não tem noção do seu tamanho e pensa que ainda é um bebé, só quer colo e carinho”, conta a fundadora à PiT.
O caso chocou os voluntários e a responsável. “Nós, humanos, não merecemos os animais”, escreve online. “Nunca será suficiente pedir desculpa por todo o sofrimento que lhes causamos”, acrescenta a líder.
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