Animais

Milhares de ativistas querem libertar a baleia que vive num aquário há dez anos

Há duas petições internacionais para que Bella seja transferida para um santuário depois de uma década em cativeiro.
Bella em cativeiro.

O cativeiro é uma das grandes preocupações dos grupos de defesa animal – pelo facto de não viverem num meio que seja adequado e os faça felizes e por, na maioria das vezes, serem usados como puro entretenimento de visitantes. O caso de Bella é um deles.

Bella é uma baleia-branca, também conhecida como beluga, que vive no sexto maior arranha-céus do mundo: o centro comercial Lotte World, que fica em Seul, capital da Coreia do Sul. Muitos grupos de proteção da vida marinha e de outros quadrantes da defesa animal têm vindo a insistir com o Lotte Group para que liberte Bella – mas, apesar das promessas nesse sentido, a baleia continua a viver num pequeno aquário de cimento e a revelar um stress cada vez maior.

O Lotte World Aquarium, que fica num dos pisos inferiores do centro comercial, está repartido por 12 “zonas temáticas” que representam diferentes ecossistemas. Ali vivem mais de 55 mil animais marinhos, de 650 espécies, entre as quais as baleias beluga. Chegaram a viver três naquele aquário, mas hoje só resta Bella – e os seus defensores temem que também ali morra, como aconteceu com os dois companheiros.

Bella teria cerca de dois anos quando foi capturada em 2013, em águas russas, e vendida ao Lotte World Aquarium. Juntou-se a duas outras belugas naquele aquário. Eram dois machos, Belli e Bello, e as suas vidas terminaram cedo. Em 2016, Bello morreu prematuramente, com apenas cinco anos – quando a esperança média de vida, no seu meio natural, é de 35 a 50 anos, como conta o “The Guardian”. Três anos depois morreu Belli, com apenas 12 anos. Os defensores dos animais não perdoaram e nesse mesmo ano de 2019 realizaram fortes protestos públicos para que o grupo Lotte libertasse Bella. Apesar de lhes ter sido dito que isso iria acontecer, o facto é que tudo continuou na mesma.

Free Bella, exigem os ativistas

Em 2021 os protestos regressaram e o grupo Lotte voltou a prometer que retiraria a baleia, mas isso ainda não aconteceu. Por isso mesmo, foram lançadas já duas petições, que estão a ser assinadas por amigos dos animais do mundo inteiro. A intenção é pressionar até que Bella saia dali e uma das petições conta já com mais de 100 mil assinaturas.

Estas baleias podem atingir os 5,5 metros de comprimento, mas o tanque tem apenas sete metros de profundidade e há fotos que comprovam que Bella evidencia stress. “Ela não recebe quaisquer estímulos e está a dar sinais de doença mental”, explicou ao “The Guardian” Jo Yak-gol, co-fundador do grupo ambientalista de defesa da vida marinha Hot Pink Dolphins  “Passaram-se quase cinco anos desde a primeira vez que disseram que a libertariam”, sublinhou.

À CNN, Jo Yak-gol afirmou em dezembro passado que Bella continua a a revelar um comportamento de stress “estereotipado” desde a morte dos seus companheiros, e há vídeos onde se pode ver a baleia beluga a girar em pequenos círculos e a flutuar de forma apática junto à superfície da água.

Nesse mesmo mês de dezembro, a Coreia do Sul proibiu a compra de baleias e golfinhos para exposição, mas a medida não tem efeitos retroativos, pelo que Bella só sairá do cativeiro se o grupo Lotte cumprir a sua promessa. Bella é uma das cinco belugas em cativeiro na Coreia do Sul, a par com uma que se encontra no Aqua Planet Yeosu e com três outras que estão no Geoje Sea World.

Bella pode ser transferida para um santuário

Resta agora a esperança, reforçada com as petições internacionais que estão a circular, de que Bella saia finalmente de onde está. Como foi capturada numa idade muito jovem, não conseguiria sobreviver se fosse libertada no oceano, pelo que os grupos de defesa animal têm apelado ao grupo Lotte para que crie um santuário ou para que a transfira para um dos santuários existentes na Islândia e na Noruega – que já disseram ter interesse em acolher mais baleias-brancas.

Percorra a galeria e veja algumas fotos de Bella – da autoria do grupo Hot Pink Dolphins e do Lotte World Aquarium – e da sua vida num tanque há já mais de 10 anos.

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