Animais

Morreu Anita, a cadela que lutou para ter um fim de vida feliz no Porto

No seu último dia, foi à praia pela primeira vez e esteve rodeada de amor. Partiu ao colo da voluntária que a salvou.
Teve um mês feliz.

Anita voou alto. A cadela que teve uma segunda e última oportunidade de ser feliz foi adormecida esta segunda-feira, 20 de maio, após viver uma vida inteira em apenas um mês. Ao lado da salvadora, aproveitou o último dia como uma rainha e teve direito a uma despedida cheia de amor, carinho e mimos.

“Foi muito amada, teve direito a tudo o que todos eles merecem”, garante à PiT Ana Pinto da Costa, fundadora da ComRaça — Equipa de Resgate Animal. “Apesar de no último dia ela já não comer, foi à praia pela primeira e última vez e esteve rodeada de amor”, acrescentou a voluntária que a salvou no início de abril. O cancro sem cura com que lutava chegou à garganta, impedindo que a cadela se alimentasse.

A história da cadela rodou Portugal e emocionou todos os amantes da causa animal. Resgatada da miséria, sem língua e com um cancro sem cura, a patuda, que teria entre 12 a 14 anos, conheceu o amor e teve a certeza de que os humanos também sabem dar aquilo que nunca teve durante toda a sua vida.

Após um apelo emotivo feito pela associação para encontrar um lar onde Anita pudesse ter “um fim de vida digno”, a cadela chegou a ser adotada. No entanto, não se adaptou aos novos irmãos e acabou por se tornar na “mascote oficial” da ComRaça, tendo vivido as suas últimas semanas ao lado da fundadora da equipa de resgate.

“Decidimos que a sua vida por muito que estivesse a acabar não iria acabar em sofrimento”, partilha. “Queremos acreditar que este nosso e vosso esforço durante este mês foi o que valeu para a vida injusta da Anita e que no fim ela partiu feliz”, avançou numa publicação no Instagram, agradecendo àqueles que não ficaram indiferentes e partilharam o caso da patuda.

Até ao último momento, Anita esteve acompanhada. “Ela não partiu sozinha, partiu literalmente nos nossos braços com as lágrimas de quem a amou como uma mãe”, afirma. “Foi sem dúvida uma das almas que mais nos marcou, quiséssemos nós que não fosse tão pouco tempo”, lamenta.

A patuda foi salva juntamente com um casal de Yorkshires e uma Pinscher de uma propriedade no Porto, onde estavam a viver entre a própria sujidade. A denúncia foi feita por um vizinho que conseguia ver da própria casa as condições de partir o coração oferecidas aos cães pelos então responsáveis. Além de subnutridos, os Yorkshires tinham o pelo completamente emaranhado. O macho tem cerca de quatro anos e a cadela Pinscher, três.

De seguida, carregue na galeria para recordar o último mês de vida de Anita.

ver galeria

ÚLTIMOS ARTIGOS DA PiT