Animais

Morreu cadela resgatada pelo IRA de estrada em Gaia. “Fechou os olhos pela última vez”

O grupo de resgate prometeu mostrar-lhe “o poder do amor”. O desfecho não foi o desejado, mas amor não lhe faltou.
O adeus a Lucky.

Por vezes não se chega a tempo. Foi o que aconteceu a Lucky, uma cadela resgatada em muito mau estado a 4 de janeiro pelo núcleo do Porto do grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA). A patuda sénior, à qual deram o nome de Lucky, deambulava numa estrada em Arcozelo – Vila Nova de Gaia e ficou internada para recuperar e ser depois adotada.”Vamos mostrar-te o poder do amor”, prometeu o IRA. Mas o final não foi feliz.

“Infelizmente a menina Lucky fechou os olhos pela última vez. Felizmente não foi na rua. Felizmente não foi sozinha. Felizmente não foi encharcada e cheia de frio. Felizmente foi encontrada a tempo de ter um final de vida digno. Esta velhota foi encontrada num estado miserável, esquelética e à chuva, a deambular sozinha e abandonada em Arcozelo. Mesmo depois de todos os esforços, foi a altura de ela se despedir dos humanos e da vida que lhe impuseram. Descansa em paz”, escreveu o IRA numa publicação no Facebook e no Instagram.

As reações dos seguidores não se fizeram esperar, num misto de revolta contra o crime de abandono e de conforto pelo facto de Lucky não ter morrido sozinha e de ter tido a ajuda do IRA.

“Minha pequenina, já não sofres mais. Ficamos nós, que amamos os animais, a sofrer pela injustiça, dor e sofrimento de toda a tua vida bem como de todos aqueles animais que erram pelas nossas ruas e estradas, abandonados e sós, sem um carinho, sem a compaixão da grande maioria da raça (des)humana. Que não haja perdão para quem abandona e/ou maltrata um animal Muito obrigada, IRA, pela diferença!”, escreveu Margarida Neto.

“Perdoa-nos Lucky… O ser humano cada vez presta menos”, sublinhou, por seu lado, Carla Ferreira. “Tão importante não ter morrido sozinha e abandonada”, considerou Elsa Rainho Anjos. “Que tristeza!”, lamentou Pedro Marques Photography.

De uma estrada em Gaia para os braços do amor

No vídeo do seu resgate, era visível o cansaço da cadela – que não possuía chip –, mas já aliviada por estar em segurança. “Não sabemos a história dela, mas, pelo seu estado miserável e criminoso, não foi uma história feliz. Agora estás connosco. Agora vamos mostrar-te o poder do amor e da dedicação para a tua recuperação”, escreveu o grupo de resgate.

E, de facto, a sua história não terá sido feliz. No vídeo, quando ia ser acarinhada pela primeira vez, viu-se que teve uma reação de medo. Carinho seria algo a que não estava habituada quando tinha uma mão por perto. Mas carinho e amor, tal como prometido, foi o que Lucky teve. Apenas por uma semana, com a injustiça de não lhe ser permitido mais, mas com a dignidade que merecia ter tido sempre.

Desde 2016 que o IRA tem retirado muitos animais de condições miseráveis. Nestes anos de atuação, o grupo já realizou inúmeras intervenções em incêndios e cheias, centenas de resgates, ações sociais de ajuda aos sem-abrigo, apoio na Ucrânia e Turquia, e ajuda com donativos em géneros a famílias carenciadas. Percorra a galeria para ver alguns dos seus resgates  no último ano e meio.

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