Animais

Morreu Mali, a elefante “mais triste do mundo”. Vivia há 42 anos em cativeiro

Várias organizações e celebridades, como Paul McCartney e Pamela Anderson, tentaram ajudá-la ao longo da vida. Sem sucesso.
Tinha 49 anos.

Mali, a elefante que recebeu a fama internacional de “a mais triste do mundo” segundo a PETA – People for the Ethical Treatment of Animals, organização de defesa dos animais, morreu neste terça-feira, 28 de novembro, após sofrer de uma insuficiência cardíaca congestiva. Acredita-se que a gigante tinha 49 anos e tenha vivido quase toda a sua vida (42) em cativeiro.

“Sentimos muito, Mali. Merecias melhor”, começou por escrever a PETA. “Apesar dos repetidos avisos da PETA, as autoridades municipais e do Zoológico de Manila, capital das Filipinas, ignoraram os claros e dolorosos problemas nas patas de Mali, a principal causa de morte de elefantes em cativeiro. Cada pessoa que lhe negou cuidados veterinários e bloqueou a sua transferência para um santuário deve ser responsabilizada”.

Mali vivia no Jardim Zoológico e Botânico de Manila desde 1981, de acordo com a BBC. Durante os anos que lá ficou, tinha uma vida de “intenso confinamento, solidão, tédio e isolamento”, segundo a PETA Reino Unido. Embora tivesse um santuário de elefantes pronto para a receber, foi mantida presa no parque como parte integrante do zoo.

Na terça-feira, Heinrich Patrick Peña-Domingo, veterinário-chefe do Zoo de Manila, partilhou que Mali foi vista deitada de lado com dificuldade para respirar. A gigante estava ainda a esfregar o tronco pela parede, indicando que estava com dor. Apesar dos esforços da equipa médica, que lhe ofereceu anti-histamínicos e vitaminas, acabou por morrer no mesmo dia.

“O Jardim Zoológico de Manila e a cidade de Manila condenaram-na a décadas de confinamento solitário, o que é uma tortura para as elefantes fêmeas, que naturalmente passariam as suas vidas entre as suas mães e irmãs, a proteger-se umas às outras e a criar os filhotes umas das outras”, lamentou a PETA.

Paul McCartney já havia pedido a sua libertação

Ao longo dos anos, foram muitas as pessoas que se juntaram para apelar pela libertação de Mali. Em 2013, em parceria com a PETA, Paul McCartney,  ex-Beatle, pediu às autoridades filipinas que a transferissem para um santuário. Na altura, chegou a escrever uma carta para Benigno Aquino III, então presidente do país.

“Com um toque de caneta, pode acabar com o sofrimento dela. Peço-lhe, de todo o meu coração, que por favor ajude a Mali a receber essa alegria agora”, lia-se no documento. Além do cantor, a atriz Pamela Anderson e a primatologista Jane Goodall também estavam envolvidas no movimento “Free Mali”, que tinha o seu próprio site.

“Na natureza, a Mali viveria os dias na companhia da sua manada, do qual nunca mais saía, em busca de alimento, a tomar banho, a brincar nos rios, e a andar por vastos territórios. Agora, ela tem a oportunidade de viver a vida com que atualmente só pode sonhar”, dizia a apresentação do movimento quando foi criado.

Por outro lado, muitos dos seus tratadores e políticos do País não acreditavam que a elefante estava a sofrer. “Ela pode parecer sozinha, mas tinha-nos ao seu lado”, disse a presidente da câmara, Honey Lacuna, numa conferência de imprensa esta semana. “Ela foi a cara que cumprimentou todos que visitaram o Zoo de Manila. Faz parte de nossas vidas”.

A seguir, carregue na galeria para ver algumas fotografias de Mali.

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