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Não é exagero: ciência explica porque vê o seu cão ou gato como um filho

Apesar desta ligação profunda, é importante fazer uma distinção essencial: amar intensamente não significa humanizar.

Cada vez mais tutores assumem que amam os seus animais de companhia como se fossem verdadeiros filhos. Mas será apenas uma tendência emocional ou há uma explicação científica para este fenómeno?

A ideia de que a relação com um animal pode ser comparável à de um filho não é exagerada. Na verdade, tem uma explicação científica. 

Nos anos 60, o psicanalista John Bowlby desenvolveu a teoria do apego, centrando-se na forma como as crianças criam ligações emocionais profundas com figuras que lhes proporcionam segurança.

Hoje sabemos que este tipo de vínculo não se limita às relações humanas. Estudos indicam que cães e gatos também desenvolvem laços de apego com os seus tutores, vendo-os como figuras de referência, proteção e segurança.

Ou seja, desde que exista uma relação saudável, o seu animal pode realmente vê-lo como “família” — de forma muito semelhante à ligação entre pais e filhos.

A oxitocina: a química por trás do amor pelos animais

Se já sentiu aquele bem-estar imediato ao acariciar o seu cão ou ao olhar nos olhos do seu gato, há uma explicação: a oxitocina.

Conhecida como a “hormona do amor”, a oxitocina é produzida pelo sistema nervoso central e está envolvida em processos como o parto, a amamentação, a criação de laços emocionais e a construção de relações de confiança.

E esta hormona não é libertada apenas nas relações humanas. Também é produzida quando interagimos com os nossos animais — ao fazer festas, brincar ou simplesmente trocar olhares. E o mesmo acontece com eles: cães e gatos também libertam oxitocina nessas interações, reforçando o vínculo.

Este “circuito químico” ajuda a explicar porque muitos tutores sentem pelos seus animais um amor tão intenso quanto o que sentiriam por um filho.

Amar como um filho não é o mesmo que humanizar

Apesar desta ligação profunda, é importante fazer uma distinção essencial: amar intensamente não significa humanizar.

Humanizar um animal implica atribuir-lhe emoções, motivações ou necessidades tipicamente humanas — algo que pode prejudicar o seu bem-estar. Por exemplo, acreditar que um gato age por vingança ou passear um cão saudável num carrinho de bebé são comportamentos que ignoram a natureza da espécie.

Amar um animal como um filho é possível — e até natural. Mas garantir o seu bem-estar implica compreender que ele é diferente de nós.

O segredo para uma relação saudável

Construir uma ligação forte com o seu cão ou gato passa por conhecer o seu comportamento natural, a forma como comunica e as suas necessidades específicas.

No fundo, a ciência confirma aquilo que muitos tutores já sentem: os animais são família. Mas também nos lembra de algo essencial — respeitar quem eles são é a maior prova de amor que lhes podemos dar.

Carregue na galeria para conhecer a história de François Schuiten e a forma como este autor e ilustrador belga lidou com a morte do seu cão, Jim. “Queria desenhar o Jim para fazer o luto e aceitar que tinha de o deixar partir. Queria desenhá-lo para compreender tudo o que se passou entre nós”. Os desenhos de Schuiten deram origem ao livro Jim, publicado em Portugal pela editora ASA. 

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