Animais

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Nehemiah Turner tem 11 anos e já leu mais de 100 horas para cães e gatos de um abrigo

O jovem tornou-se o primeiro participante infantil a ultrapassar as 100 horas de voluntariado no programa Pawsitive Reading.

Durante mais de dois anos, Nehemiah Turner trocou parte dos seus tempos livres por uma missão pouco comum: sentar-se em frente dos canis e gatis de um abrigo de animais e ler histórias em voz alta.

Aos 11 anos, o jovem norte-americano tornou-se o primeiro participante infantil a ultrapassar as 100 horas de voluntariado no programa Pawsitive Reading, da Jacksonville Humane Society, na Florida.

Nehemiah visita o abrigo há mais de dois anos, várias vezes por semana. Senta-se do lado de fora dos canis, abre um livro e começa a ler. Os animais são livres de se aproximarem ou simplesmente de descansarem enquanto o ouvem. Não importa se compreendem as palavras. O que faz a diferença é a rotina, a calma e a associação positiva à presença humana.

Segundo a Jacksonville Humane Society, o programa foi criado precisamente para reduzir o stress dos animais que vivem no abrigo. Muitos chegam assustados, inseguros ou pouco habituados ao contacto com pessoas. Ao ouvirem uma voz serena, num ambiente sem pressão, vão ganhando confiança, tornando-se mais relaxados e, muitas vezes, mais recetivos quando chegam potenciais adotantes.

Um dos cães que mais marcou o jovem chama-se Hopper. Durante quase 400 dias, o animal viveu no abrigo e Nehemiah fazia questão de lhe ler histórias em praticamente todas as visitas. Quando Hopper acabou finalmente por encontrar uma família, o rapaz sentiu que, de alguma forma, também tinha feito parte daquele final feliz.

O primeiro cão para quem leu foi Auggie. Numa entrevista à ABC News, recordou que chorou quando chegou a hora de ir embora, porque não queria deixar o animal sozinho. Foi nesse dia que percebeu que queria voltar — e nunca mais deixou de o fazer.

Pelo seu contributo, a Jacksonville Humane Society distinguiu Nehemiah com um certificado especial, assinalando-o como a primeira criança a atingir as 100 horas de leitura no programa. Para o diretor executivo da instituição, Lawrence Nicolas, o jovem demonstra que um gesto aparentemente simples pode transformar a vida dos animais e inspirar outras pessoas a fazer voluntariado.

Em Portugal também há quem leia para cães

Embora não exista um programa idêntico desenvolvido de forma regular em centros de recolha oficial ou associações de proteção animal portuguesas, a leitura assistida por cães está longe de ser uma novidade no País.

Desde 2015, a associação Cães & Livros – R.E.A.D. Portugal promove sessões em escolas e bibliotecas onde são as crianças que leem para cães especialmente treinados. O objetivo é aumentar a confiança dos alunos, melhorar a fluência da leitura e reduzir a ansiedade associada à leitura em voz alta. As Bibliotecas Municipais de Cascais são um dos exemplos mais conhecidos desta iniciativa.

Portugal participou também no projeto europeu Read4Succeed, coordenado por investigadores da NOVA FCSH, que estudou precisamente o impacto da leitura assistida por animais em crianças, demonstrando o potencial desta abordagem para promover a inclusão, a motivação e o desenvolvimento das competências de leitura.

A experiência de Nehemiah Turner mostra agora que a relação pode funcionar nos dois sentidos: se os cães ajudam as crianças a ganhar confiança para ler, talvez as crianças também possam ajudar cães e gatos mais ansiosos a prepararem-se para encontrar uma nova família.

Para os especialistas em comportamento animal, o contacto frequente com pessoas em contextos calmos e previsíveis contribui para reduzir o medo e aumentar a sociabilidade de muitos animais de abrigo — características que podem fazer toda a diferença quando chega o momento de conquistar um potencial adotante.

 

 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por Shay Ruffin (@shaysimontv)

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