Animais

Nesta prisão, não há cães polícia. São os gansos que impedem a fuga dos detidos

As autoridades perceberam que as aves faziam um trabalho mais "eficaz" do que os canídeos. Têm um rio e são sempre alimentadas.
É um grupo grande.

Armas, muros altos, câmaras de vigilância, cães treinados para atacar e polícias com vários anos de experiência são algumas das características mais marcantes das prisões de alta segurança em todo o mundo. Nestes espaços, as autoridades têm de estar atentas a qualquer barulho ou movimento fora do comum e não poupam esforços. Contudo, num estabelecimento prisional no Brasil, não são só esses os métodos de seguranças mais usados.

Em 2013, a prisão de alta segurança contava com pelo menos 16 “guerreiros” a percorrer o terreno. Agora, o número é desconhecido mas o grupo continua a ser útil. Estes têm duas pernas, o pescoço longo, o corpo cheio de penas e não precisaram de qualquer treino. Os gansos do Estabelecimento Prisional de São Pedro de Alcântara, em Santa Catarina, sabem bem qual o seu trabalho.

Os animais-sentinelas substituíram os cães polícia desde pelo menos 2009, quando o espaço percebeu que as aves estavam a ser mais eficientes do que os canídeos. O motivo? Gritam quando escutam qualquer perturbação.

“O comportamento sentinela é emitir gritos e grasnados ao menor sinal de movimentação não comum”, explicou Guilherme Renzo, professor do departamento de zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina,  ao jornal brasileiro “G1”. “É um animal que tem um comportamento de dar um grito de alarme ao menor sinal de perturbação, presença de pessoas e/ou outros animais na região onde vivem”.  

A prisão tem hoje cerca de 1,3 mil detidos e conta também com um avançado sistema de vigilância eletrónica que assim como os gansos, funciona 24 horas por dia, segundo a Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa (SAP), responsável pela estrutura do terreno. E as condições de trabalho não são más: os animais têm um enorme rio na propriedade para descansarem e são alimentados com frequência pelos funcionários. 

Guilherme avançou ainda que os gansos podem viver até 15 anos quando criados em cativeiro. “Eles dão-se bem com humanos e podem ficar sociáveis, mas tendem a defender os territórios e as pessoas conhecidas de estranhos”, frisou. “São conhecidos por avançar, bicar e dar asadas em invasores e desconhecidos. São fortes, mas não causam ferimentos muito graves, mas podem afastar os invasores”. 

Em todo o mundo, vários projetos permitem a presença de animais em estabelecimentos prisionais e não são só para promover a segurança. Em Portugal, o “Pelos Dois” decorreu em seis prisões no Norte do País e apelou à reabilitação mútua de reclusos e de cães abandonados.

A iniciativa terminou a 30 de junho, mas, até então, todas as semanas, os reclusos do Norte do País recebiam os cães para adoção do Centro de Recolha Animal de Vila Nova de Gaia, também conhecido como P.A.T.A, e passavam dois dias inteiros com eles. Carregue na galeria para ver algumas fotografias do projeto.

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