Quando sensibilizar não funciona, a solução pode passar por medidas mais drásticas. Nina, que viveu presa toda a vida, sem a certeza da próxima refeição e sofrendo agressões, foi encontrada pela equipa do Movimento Famalicão sem Correntes. Uma ninhada inesperada trouxe a urgência de uma intervenção, e depois de um resgate difícil a patuda está em segurança com os seus bebés.
Joana Faria e La Salete Gomes, responsáveis pela organização, explicam à PiT ter começado a seguir o caso há dois anos, visitando a propriedade onde Nina vivia com frequência para falar com os donos, e para deixar comida à cadela. Quando foi sinalizada pelo grupo, a patuda “vivia com uma corrente mínima, uma casota de pedra, a beber água da chuva e a comer quando acontecia”.
Nina sofria agressões às mãos do tutor, evidenciadas pelo medo frequentemente demonstra ao toque. Ainda assim, a cadela de três anos “é muito carinhosa e carente”, adianta Joana Faria.
Ao longo dos dois últimos anos, avança La Salate, os voluntários procuraram ganhar a confiança da família para sensibilizar o núcleo, e para “dar algum conforto e alimentar” Nina. “Tem sido um diálogo de loucos”, confessa a líder do movimento, “Insistimos para provar que estamos ali para o bem e para não a deixarmos”.
Com os bebés, veio a caixa. E com a caixa veio o resgate
Há dois meses, Nina deu à luz cinco bebés “num buraco que ela fez no meio da terra”. Dos cinco, sobreviveram dois, e os donos “disseram que três vieram mortos, mas não temos como saber”, diz La Salete.
Depois de nascerem, os bebés foram postos numa caixa de madeira improvisada. “Tinham água suja e dejetos em todo o lado. Era de partir o coração. E a Nina depois também foi lá para dentro — uma cadela de porte médio e dois bebés numa caixa mínima”, explicam as responsáveis.
Apesar de não ter produzido os resultados ideais, a insistência do grupo não foi em vão. “Com base na nossa sensibilização perceberam que não tinham como manter os três cães, então deixaram-nos trazê-la”, explica Joana Faria, acrescentando que os detentores “foram várias vezes visitados pelas autoridades e tinham várias denúncias por causa dos animais”.
No dia 1 de novembro os donos cederam Nina e um dos cachorros, mas decidiram que manteriam o outro pequeno, com a intenção de “o treinar para guardar a casa” ou “de o vender online”. “Quando chegámos esconderam-no dentro de casa”, lamenta La Salete, que não desistiu de recuperar todos os animais.
Na passada sexta-feira, 7 de novembro, a equipa regressou à propriedade, determinada a resgatar o cachorro que faltava de “uma autentica sepultura”, e foi bem sucedida.
Os patudos estão em FAT, onde Nina está a ser socializada para aprender a confiar plenamente em humanos, e onde ficará até encontrar uma família definitiva.
As responsáveis pelo Movimento Famalicão sem Correntes celebram a vitória, mas sublinham que “este é apenas um exemplo do flagelo que tantos animais vivem em silêncio”, mencionando “o acorrentamento cruel, as vendas online e a falta de leis eficazes que proejam verdadeiramente os animais”.
Carregue na galeria para conhecer Nina e os dois pequenos, que já estão em segurança.








