“Foi uma das minhas melhores decisões”. A garantia é dada por Kelly Anderson, referindo-se à decisão de clonar a sua gata. A norte-americana de 36 anos, residente em Austin, no Texas, adiantou, na plataforma Clone Kitty, que Chai morreu a 16 de março de 2017, e que, imediatamente, tomou a decisão de a clonar.
“Estava tudo muito recente na minha cabeça na noite em que Chai morreu. Não consegui dormir e fiquei toda a noite a investigar clonagem, até que decidi que era isso que queria fazer com o legado de Chai”, recorda Anderson. “Quando tomei a decisão, soube imediatamente que era o que queria fazer.”
O resultado deste processo nasceu a 20 de agosto de 2021, a gata Belle. “Belle foi literalmente clonada a partir do ADN da minha gata Chai, que já faleceu. Os seus perfis de ADN são idênticos graças ao trabalho da ViaGen Pets, a única empresa de clonagem comercial nos Estados Unidos”, conta Kelly Anderson.
A ViaGen Pets alertou a tutora de que Belle não seria uma “uma cópia exata” de Chai, mas para Anderson isso não foi um problema. “Nunca quis trazer a minha gata de volta. Quis preservar uma parte dela”, explica.
O processo foi mais demorado do que o inicialmente previsto e Belle só nasceu quatro anos após a morte de Chai. “Tentativa após tentativa, o meu coração partia-se um pouco mais. Por maior que seja o nível de especialização científica, nem todos os resultados podem ser controlados; por isso, levou algum tempo até que aqueles 6 milhões de células se transformassem num embrião viável. Avançando até 2021, começou o capítulo seguinte deste conto de fadas”, conta Anderson.
“A 20 de agosto de 2021 — quase dez anos após o nascimento de Chai e numa referência perfeita ao seu estatuto de versão 2.0 — Belle nasceu através de uma gata de substituição num laboratório da ViaGen. Claro que lhe dei o nome de Belle. Que nome melhor para atribuir ao clone da minha Rainha do Gelo (um apelido carinhoso que reconhecia a natureza reservada de Chai), agora transformada em doce princesa, cuja história está ligada a A Bela e o Monstro?”
Kelly Anderson conta à revista People que fez um empréstimo de 25 mil dólares para pagar a clonagem de Chai, e garante que nunca se arrependeu da decisão que tomou. “Foi uma das minhas melhores decisões”.
Anderson destaca que soube desde o início que o clone não seria igual a Chai, mas que era importante para ela manter o legado da sua gata. “Chai entrou na minha vida nos últimos anos da universidade, numa altura em que eu lutava com problemas de saúde mental e depressão”, partilha Anderson. “Ela sincronizou-se comigo imediatamente e compreendia as minhas emoções de uma forma que nenhum outro animal alguma vez compreendeu. E eu tive animais toda a vida.”
A tutora conta que Chai não era muito carinhosa mas “percebia quando Anderson precisava de afecto e conforto”. A vida de Chai terminou abruptamente depois de ingerir um pedaço de plástico de uma embalagem de comida enquanto estava aos cuidados de um pet sitter. Chai foi operada, mas teve uma reação adversa à anestesia que lhe provocou a morte.
Quase nove anos passados desde a perda e da decisão de a clonar, a norte-americana deixa dois conselhos para quem queira clonar o seu animal: “Não clones um animal à espera de o ‘trazer de volta’. Isto não é ressurreição. Se procuras substituir um animal que perdeste, vais ficar desiludido — e não é justo para o animal clonado.”
Anderson aconselha também os tutores a recolherem uma “amostra de tecido enquanto o animal está vivo, idealmente durante uma limpeza dentária”. “É o processo recomendado para preservar material genético. Parte da razão pela qual demorou quatro anos foi porque os restos da Chai foram congelados durante a noite, o que degradou as células.”
“No fim de contas, todos amamos profundamente os nossos animais. E acho incrível que a ciência permita a clonagem – para alguma pessoas pode mesmo mudar vidas”, conclui Kelly Anderson.
Carregue na galeria para conhecer Chai, e a sua clone, Belle.









