Animais

Novo estudo: há quase um milhão de animais a viver na rua em Portugal

O estudo pioneiro divulgou dados sobre a vida de cães e gatos errantes no País, como são vistos e tratados pela população.
Entre eles, 830.541 são gatos.

Portugal tem mais de 930 mil animais errantes, entre 830.541 gatos e 101.015 cães. Os dados foram divulgados esta sexta-feira, 3 de maio, através do primeiro Censo Nacional dos Animais Errantes realizado pela Universidade de Aveiro para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e financiado pelo Fundo Ambiental.

Entende-se por animal vadio ou errante qualquer animal que seja encontrado na via pública ou outros lugares públicos fora do controlo e guarda dos respetivos detentores ou relativamente ao qual existam fortes indícios de que foi abandonado ou não tem detentor e não esteja identificado.

O elevado número foi o resultado de uma investigação do efeito sobre a densidade de animais errantes (contagem por quilómetros quadrados), de co-variáveis indicativas da presença humana, de fatores sociais, do uso do solo, e do nível de recolha de cães e gatos pelos centros de recolha oficiais.

Os principais resultados de 2023 apontam para cenários muito distintos entre cães e gatos. O documento avança que os detentores de gatos têm “menores índices de responsabilidade” do que os de cães, especialmente ao nível da identificação individual e do acesso ao exterior sem supervisão: 29 por cento dos tutores permitem o acesso ao exterior sem supervisão e 35 por cento tem pelo menos um gato sem identificação e registo.

No que diz respeito aos felinos errantes, apenas 5,3 por cento dos participantes referem que já se sentiram “fisicamente ameaçados” por um deles e 5,9 por cento já chegaram a ser atacados. Quanto à prestação de cuidados a estes patudos, 83,4 por cento dos participantes já providenciaram alimento, 78,6 por cento água, 48,3 por cento abrigo, e 14,1 por cento outros cuidados.

Por outro lado, os tutores de cães apresentam maior preocupação. A pesquisa concluiu que 92 por cento identificam e registam todos os seus animais e 92 por cento nunca permitem o acesso ao exterior sem supervisão. A maioria dos participantes era responsável de apenas um (45,2 por cento) ou dois (24,1 por cento) cães e a principal motivação para a sua detenção foi a companhia (88 por cento).

Já nos cães errantes, 27,2 por cento dos participantes referem já ter-se sentido fisicamente ameaçados por um, dos quais 7,2 por cento já foram atacados. Mais de dois terços (70,5 por cento) dos inquiridos já providenciaram alimento, 65,2 por cento água, 37,1 por cento abrigo e 17,1 por centro prestaram outros cuidados.

O censo revela ainda que valores menores de rendimento das família e maior índice de desigualdade estão associados a maiores densidades de animais errantes, sugerindo que as dificuldades económicas são “um dos fatores que limita comportamentos de detenção responsável”. Como consequência, a falta de verbas é a principal barreira à esterilização dos cães e gatos.

Há uma nova aplicação para controlar o número de animais errantes

No âmbito do estudo, a Universidade de Aveiro em parceria com o ICNF criou uma nova aplicação, batizada de “Errantes” e disponível para Android e IOS, que permite que cada utilizador registe os seus dados e os dos seus animais de companhia, bem como avistamentos daqueles que circulam livremente, ou de presas capturadas pelos patudos com ou sem detentor.

“A sociedade civil é um agente fundamental para a resolução da existência de animais errantes, sendo premente a sua sensibilização para esta temática, aumentando o seu conhecimento sobre os impactos provocados, medidas de gestão, e envolvendo-a nas várias componentes da Estratégia Nacional para os Animais Errantes”, frisa Alexandra Pereira, diretora do departamento do Bem-Estar dos Animais de Companhia do ICNF.

A diretora acrescenta: “Os resultados do Censo evidenciam uma forte preocupação social com o bem-estar destes animais, o que constitui um sólido argumento para futuras campanhas de sensibilização e modificação de comportamentos. Contudo, pode também constituir uma barreira à modificação de comportamentos que contribuem para a manutenção ou crescimento das populações de animais errantes, como por exemplo a alimentação não controlada, com receio de que passem fome, ou a não comunicação às instituições responsáveis, com receio de que sejam abatidos ou enjaulados para o resto da vida”, sublinha.

De seguida, carregue na galeria para saber mais conclusões do primeiro Censo Nacional dos Animais Errantes como a eficácia do CED, o número de atropelamentos de animais entre 2019 e 2022 (e os concelhos onde mais acontecem), o papel das associações, o principal medo dos portugueses referente aos animais errantes, entre outros. Pode consultar todo o documento através deste link.

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