A proximidade entre humanos e cães continua a impressionar tutores e cientistas. Entre as várias descobertas dos últimos tempos, a mais recente diz respeito aos cérebros dos canídeos, e sugere que este órgão terá começado a diminuir há pelo menos 5 mil anos atrás.
A conclusão foi partilhada num estudo a 29 de abril na revista Royal Society Open Sience por uma equipa liderada por Thomas Cucchi, do Centro Nacional de Pesquisa Científica de França. Com o propósito de comparar o tamanho dos cérebros, os pesquisadores analisaram imagens de TAC de 22 crânios de lobos pré-históricos e cães, que viveram entre 35 a 5 mil anos atrás, bem como 59 crânios de lobos e 104 de cães modernos.
Os dados permitiram ao grupo perceber as mudanças no tamanho dos cérebros ao longo do tempo. Os resultados revelaram que raças modernas de cães, dingos, cães de rua e do final do período neolítico (há cerca de 7 mil anos atrás) apresentam cérebros 32 por cento mais pequenos do que lobos.
A exceção à conclusão são os protocães — os canídeos a dar início ao processo de domesticação, entre 35 mil a 15 mil anos atrás. A maior parte dos cérebros destes animais eram iguais aos dos lobos, e um deles revelou-se maior, levando os cientistas a propor que talvez o órgão tenha aumentado de tamanho no começo da domesticação.
Cucchi adiantou que a ciência não sabe porque é que a domesticação tornou os cães mais pequenos do que os lobos. Porém, notou que quando o tamanho do cérebro diminui, este é forçado a reorganizar-se. Para os patudos, isto significa que quanto mais pequena a raça, menor é a capacidade de treino dos seus indivíduos e maior a sensibilidade a mudanças no seu ambiente, tornando-os melhores a alertar para perigos.
Juliane Kaminski, especialista em cognição canina da Universidade de Portsmouth, Inglaterra, enfatizou o facto de os protocães não terem cérebros mais pequenos do que os lobos. “Eles ainda não mostravam este sinal de domesticação que nós pensávamos ser padrão”, afirmou.
O facto, refere, sugere que a relação entre humanos e cães poderá ter começado de forma pouco estruturada antes de se tornar num laço forte. “O que os autores estão a dizer é que a linha temporal do tempo de domesticação poderá ser mais tarde do que os dados genéticos sugerem”.
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