50 gatos residentes de uma colónia em Oeiras estão prestes a perder o seu espaço seguro no edifício da antiga Fundição de Oeiras para a construção de um complexo urbanístico. A situação está a ser acompanhada pela associação local Miar Oeiras, que critica a falta de preparação da Câmara Municipal, afirmando que os serviços falharam em encontrar uma solução para realojar os animais que ali vivem há 30 anos, acusando-os de priorizar o “lucro cego”.
A organização mobilizou-se para a edificação de um santuário para estes animais, pretendendo que o espaço, pelo qual se responsabilizaria, solucionasse o problema. Para o efeito, a equipa pediu à autarquia que lhe fosse doado um terreno em abril do ano passado. “Tivemos uma reunião com o vereador. Ele disse que sim, que fazia sentido, e que iam visitar terrenos, e que está a ser tudo tratado, mas não vemos avanços”, lamenta Maria João Abreu, integrante do grupo.
O caso não é único no município. No Espargal, em Paço de Arcos, a construção de um condomínio levou a Câmara a recolher 10 dos 11 gatos que viviam no local. Os felinos, diz Maria João, estão a ser mantidos “numa sala no edifício da Fundição de Oeiras. A voluntária defende que “isto não é solução para gatos de colónia que nunca estiveram em cativeiro”.
A ativista adianta ainda que todos os animais envolvidos — tanto no caso do Espargal quanto no mais recente da Fundição (uma das maiores unidades industriais do concelho, que agora permanece desativada) — estão registados e têm sido acompanhados pelo município ao abrigo do programa CED (Capturar-Esterilizar-Devolver). Assim, foram “acompanhados por cuidadora credenciada” e estabilizaram-se nestes territórios.
A associação critica a falta de preparação para assegurar uma alternativa segura de habitação para os gatos. “Dizer que se irão deslocar é ignorar deliberadamente a principal característica da espécie felina. Gatos assilvestrados não se mudam. Perdem o território, entram em conflito, sofrem, morrem“, explica. Nesta lógica, os voluntários apontam que os responsáveis tiveram tempo, informação e meios para agir em prol do bem-estar dos animais, avançando a falta de “vontade política de assumir que o desenvolvimento urbano tem custos éticos e que esses custos não podem ser pagos com vidas”.
O santuário que pretendem construir faria uso das verbas previstas e entregues pela DGAV para projetos deste género, e serviria para abrigar estas e outras colónias do concelho “que se encontrem em circunstâncias semelhantes”.
Com o objetivo de alertar para o problema e de conseguir apoio, a Miar tem recorrido às redes sociais, onde expôs os casos. Além disso, criou uma petição pública para pressionar os serviços municipais a conceder o terreno. À data de publicação deste artigo, o documento conta com 1870 assinaturas.
Percorra a galeria para conhecer JBob, Jimi e Bonnie, três irmãos resgatados pela Miar Oeiras.







